Resumo
1. APRESENTAÇÃO
2. INFORMAÇÕES
GERAIS
3. HISTÓRICO
4. DIAGNÓSTICO
PRÉ-NATAL
5. DIAGNÓSTICO
PÓS-NATAL
6. ITOGENÉTICA
NA SÍNDROME DE DOWN
7. TRANSMISSÃO
DO DIAGNÓSTICO
8. ADAPTAÇÃO
PSICOLÓGICA DOS PAIS
9. ORIENTAÇÕES
GERAIS PARA O CUIDADO DA CRIANÇA
10. ESCLARECENDO
ALGUMAS DÚVIDAS
11. AVALIAÇÃO
NEONATAL
12. ROTINA
DA AVALIAÇÃO NEONATAL
13. ACOMPANHAMENTO
CLÍNICO NA INFÂNCIA
14. ACOMPANHAMENTO
CLÍNICO NA ADOLESCÊNCIA
15. ACOMPANHAMENTO
CLÍNICO NA IDADE ADULTA
16. ASPECTOS
GERAIS
17. REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
Tabelas:
Características
Físicas dos Indivíduos com Trissomia 21
Tabela de desenvolvimento
1 -
APRESENTAÇÃO
PARTICIPANTES
DR. MARCOS JOSÉ BURLE DE AGUIAR
Professor Adjunto
do Depto. de Pediatria da UFMG.
Coordenador do Serviço
Especial de Genética do
Hospital das Clínicas da
UFMG.
Médico do Núcleo de
Genética Médica.
DRA.
LETÍCIA LIMA LEÃO
Médica da
Prefeitura de Belo Horizonte em disponibilidade no Serviço Especial de Genética do
Hospital das Clínicas da UFMG.
Mestranda em Pediatria da
UFMG.
MARIA
MARGARIDA RIBEIRO DE SOUZA
Académica do curso
de graduação em Medicina-UFMG.
Analista de Sistemas.
LUIS
CARLOS SILVA EIRAS
Analista de
Sistemas.
FILOMENA
DI FUCCIO AGUILAR
Presidente da
Família Down - Gestão 1995/1997.
MARIA
ELISA SCARPELLI RIBEIRO E SILVA
Directora Técnica
da Família Down - Gestão 1995/1997.
2
- INFORMAÇÕES GERAIS
O objectivo principal desta
obra é a divulgação à área médica de conhecimentos úteis na abordagem dos pacientes
com SÍNDROME DE DOWN e suas famílias.
Para a realização da
tarefa, contamos com o apoio das empresas GENE - NÚCLEO DE GENÉTICA MÉDICA e TRÍADE
TECNOLOGIA EM SISTEMAS.
A CAMPANHA DEFICIENTE
CIDADÃO
Desenvolvida pelo Departamento de
Genética Clínica da Sociedade Brasileira de Pediatria, esta campanha tem por objectivo
principal defender os direitos de CIDADÃO das pessoas com deficiências físicas e/ou
mentais.
Neste momento dirigida principalmente aos
pediatras, tem como objectivo melhor capacitá-los a prevenir, diagnosticar e tratar as
deficiências físicas e/ou mentais, bem como orientar os afectados e suas famílias.
DOWN, SEJA BEM-VINDO!
Seja bem-vindo você,
paciente com síndrome de Down, CIDADÃO como todos nós!
Seja bem-vindo você, pai ou
familiar do paciente Down!
Seja bem-vindo você médico,
pediatra, profissional de saúde!
Este trabalho é dedicado ao
paciente Down e sua família buscando melhor atendê-los em suas necessidades de saúde.
Mas se dirige principalmente ao médico e profissional de saúde porque conhecemos a
escassez de informações disponíveis em nosso meio sobre esta síndrome e porque
testemunhamos as dificuldades enfrentadas por estes quando buscam atender bem o paciente
Down.
A Síndrome de Down, descrita
por John Langdon Down, em 1866, é a síndrome de malformações congénitas mais
frequente, atingindo aproximadamente um em cada 600 nascimentos. Embora exista uma grande
quantidade de informações médicas sobre esta doença, em nosso meio elas são pouco
conhecidas dos médicos e outros profissionais de saúde. Assim, o nascimento de uma
criança com Síndrome de Down é, muitas vezes, um acontecimento embaraçoso para aqueles
que a atendem. As dificuldades vão da habilidade para firmar o diagnóstico até a
tranquilidade para informá-lo à família, preparando-a para aceitar a criança e
ajudá-la em seu desenvolvimento.
Também o acompanhamento do
paciente Down tem sido deficiente. As suas potencialidades, seu ritmo de crescimento e as
complicações mais frequentes em cada período de sua vida são, geralmente, pouco
conhecidos dos médicos.
Os objectivos mais
importantes deste trabalho são:
1. Auxiliar no
estabelecimento do diagnóstico, chamando a atenção para os dados clínicos mais
frequentes e marcantes desta síndrome.
2. Alertar para as
malformações que podem estar associadas, exigindo atenção diferenciada.
3. Informar sobre as
alterações cromossómicas mais frequentes e suas
implicações para o
aconselhamento genético.
4. Auxiliar no acompanhamento
clínico dos pacientes, chamando a atenção para as complicações mais comuns em cada
fase da vida e para as particularidades do crescimento e desenvolvimento.
5. Contribuir
para uma melhor relação com a família, trazendo orientações que ajudem na
transmissão do diagnóstico e esclarecimentos sobre algumas dúvidas comuns dos pais.
3 - HISTÓRICO
Esculturas dos Olmec que
viveram no México entre 1500 AC e 300 DC são as primeiras evidências do conhecimento da
Síndrome de Down. Após este período é difícil encontrar nas artes algo que sugira o
seu conhecimento, até o século XX. Existem controvérsias se algumas pinturas entre os
séculos XIV e XVI representam pessoas com Síndrome de Down. Com o conhecimento que temos
hoje da sua frequência e de seu fenótipo é difícil acreditar que ela só tenha sido
identificada em 1866. É provável que a ausência destas evidências se deva às altas
taxas de mortalidade infantil da época.
Coube a John Langdon Down a
primeira descrição clínica da Síndrome em 1866.
Influenciado pelo racismo,
denominou mongolóides aqueles indivíduos com o grupo de características observadas,
nome nunca utilizado na Rússia, território de origem da raça mongol. Lá eles eram
chamados de "Down's".
Em face da discordância
quanto ao termo, considerado como ofensivo tanto por pesquisadores orientais como por pais
de pacientes no ocidente, bem como pela delegação da Mongólia junto à Organização
Mundial de Saúde, a denominação mongolismo foi excluída da Revista Lancet em 1964, das
publicações da OMS em 1965 e do Index Medicus em 1975. Hoje este termo é considerado
arcaico.
Após a descrição de Down
começou uma grande controvérsia sobre a etiologia da Síndrome. Ela foi atribuída
inicialmente a causas infecciosas como tuberculose e sífilis; os pacientes chegaram a ser
considerados "crianças inacabadas". Posteriormente foi atribuída a doenças da
tiróide.
A não disjunção
cromossómica foi sugerida inicialmente por Waardenburg em 1932. Em 1959, Lejeune e
colaboradores demonstraram que se tratava de uma anormalidade cromossómica, identificando
a presença do cromossoma extra nos afectados. Em 1960, foram descritos os primeiros casos
de translocação por Polani e colaboradores e em 1961, o primeiro caso de mosaicismo.
Hoje se sabe que a trissomia da parte distal do braço longo do cromossoma 21 (banda q22)
é a responsável pela Síndrome.
A história do tratamento e
do prognóstico dos pacientes com Síndrome de Down pode, sucintamente, ser dividida em
três grandes períodos:
- Período que antecede a
identificação da alteração cromossómica, quando os pacientes eram rejeitados,
institucionalizados e mesmo os cuidados básicos de saúde lhes eram, muitas vezes,
negados. O auge deste período coincide com a eutanásia, praticada pelos nazistas.
- Com a descoberta da
anomalia cromossómica inicia-se uma fase de interesse e pesquisa nas áreas médica e
educacional.
- O terceiro período começa
com o reconhecimento, nos países desenvolvidos, do direito de toda criança,
independentemente de sua capacidade mental.
Começaram a ser instituídos
programas educacionais adequados.
Hoje a institucionalização
caminha para sua extinção e as pessoas com
Síndrome de Down demonstram
muito melhor desempenho quando integradas à família e à sociedade.
4 - DIAGNÓSTICO PRÉ-NATAL
O diagnóstico pré-natal permite, durante
a gravidez, saber se o feto é ou não acometido pela Síndrome de Down.
As principais indicações para o diagnóstico pré-natal são:
1. Idade materna acima de 35 anos.
2. Filho anterior com Síndrome de Down.
3. Um dos pais portador de translocação
cromossómica envolvendo o cromossoma 21.
4. Malformações fetais diagnosticadas
pelo ultra-som.
5. Testes de triagem pré-natal alterados.
Os três métodos utilizados são os
seguintes:
1. Coleta de vilosidades coriónicas
(após 9 semanas de gravidez).
2. Amniocentese (após 14 semanas de
gravidez).
3. Cordocentese (após 18 semanas de
gravidez).
TESTES DE TRIAGEM -
SCREENING PRÉ-NATAL
São testes
não invasivos que permitem suspeitar que determinada gravidez, não incluída nas
indicações de diagnóstico pré-natal, possa resultar em um recém-nascido com Síndrome
de Down.
Os mais utilizados são as dosagens de
alfa-fetoproteina, estriol não conjugado e gonadotrofina coriónica no soro materno,
denominado tri-teste, e a medida da translucência nucal.
Estes testes não são ainda utilizados
rotineiramente em nosso meio, mas alguns centros e serviços já os estão introduzindo.
Caso haja interesse em realizá-los, recomendamos que sejam procurados geneticistas e
obstetras com formação em medicina fetal.
É importante lembrar que um teste de
triagem alterado não significa diagnóstico de Síndrome de Down no feto. Eles são
apenas marcadores de risco e quando alterados, está indicado o diagnóstico pré-natal
pelas técnicas tradicionais.
5 - DIAGNÓSTICO PÓS-NATAL
O diagnóstico
da Síndrome de Down é estabelecido com base em uma série de sinais e sintomas, sendo
posteriormente confirmado pelo estudo cromossómico.
É importante salientar os
seguintes aspectos:
1. Geralmente o paciente com
Síndrome de Down apresenta diversas destas características, mas algumas vezes ele
apresenta somente poucas delas.
2. Nenhuma delas é essencial
e/ou suficiente para o diagnóstico.
3. Nenhuma criança tem todos
os sinais e nenhum sinal isolado é patognomónico.
Dentre todas as
características relacionadas, as mais frequentes e úteis ao diagnóstico no período
neonatal são as seguintes:
1. Hipotonia muscular
2. Reflexo de Moro débil.
3. Hiperflexibilidade
articular.
4. Excesso de pele no
pescoço
5. Face de perfil achatado.
6. Fendas palpebrais
inclinadas para cima
7. Orelhas pequenas e/ou
anómalas
8. Clinodactilia de quintos
dedos.
9. Afastamento entre o
primeiro e segundo artelhos, às vezes com uma prega vertical entre eles
10. Arco tibial nas regiões
halucais.
11. Manchas de Brushfield
Diante da suspeita
clínica, solicite sempre o estudo cromossómico - cariótipo.
6
- ITOGENÉTICA NA SÍNDROME DE DOWN
A solicitação do
estudo cromossómico é uma etapa essencial do diagnóstico da Síndrome de Down. Embora
seja possível o diagnóstico clínico, o resultado do estudo cromossómico
é essencial para o aconselhamento genético e ajuda os pais a aceitarem o diagnóstico e
superarem a fase de negação que geralmente ocorre após a transmissão do diagnóstico.
O estudo cromossómico geralmente
apresenta um dos seguintes resultados:
-
TRISSOMIA LIVRE DO CROMOSSOMA 21
Cariótipos: 47, XY,
+21; ou 47, XX, +21.
Nestes casos os pacientes apresentam em
todas as suas células 47 cromossomas e não 46, e o cromossoma extra é do par 21. Ocorre
por acidente genético e em mais de 80% dos casos se deve a uma não disjunção
cromossómica na meiose materna. O factor de risco conhecido que mais se associa a este
acidente é a idade materna elevada (idade maior que 35 anos). No entanto, como o número
de mulheres jovens que têm filhos é muito maior, a maioria dos pacientes Down com
trissomia livre são filhos de mães jovens. Como se deve a um acidente genético, não é
familiar e o risco de recorrência em futuras gravidezes do casal é de 1 a 2% (um a dois
por cento).
Este cariótipo é encontrado em
aproximadamente 92% dos casos de Síndrome de Down.
TRANSLOCAÇÃO
Cariótipos: 46,XY,
t(..., 21); ou 46, XX, t(...,21).
Nestes casos, o paciente apresenta o
número normal de cromossomas (46) em todas as suas células. No entanto, ele tem um
pedaço a mais do cromossoma 21 aderido a um outro cromossoma. Assim, trata-se de uma
trissomia parcial e não de uma trissomia completa. O cromossoma extra se fixa a um outro
cromossoma. Os cromossomas que mais frequentemente se encontram aderidos ao cromossoma 21
nos casos de translocação são os acrocêntricos: 13, 14, 15, o próprio 21 e o 22). Na
maioria das vezes isto representa um evento novo (por acidente). No entanto, o pai ou a
mãe podem ser portadores de uma translocação balanceada envolvendo o cromossoma 21 e o
risco de recorrência pode ser muito maior que o da trissomia livre. Por isso, é
indispensável que seja solicitado também os estudos cromossómicos dos pais e caso um
deles seja portador da mesma, outros familiares devem ser estudados para identificar quem
mais tem risco aumentado de ter filhos afectados.
O risco de recorrência depende do
cromossoma envolvido e do genitor portador da translocação. Assim, nestes casos é
melhor que o aconselhamento genético seja feito por um geneticista ou por um médico
experiente em fazê-lo.
Este cariótipo é encontrado em
aproximadamente 5% dos casos de Síndrome de Down.
MOSAICISMO
Cariótipos: 46, XY/
47, XY, +21; ou 46, XX/ 47, XX, +21.
Nestes casos algumas células
exibem cariótipos normais e outras trissomia livre do cromossoma 21. Estes casos ocorrem
por acidente genético e também não são familiares. Geralmente eles se devem a uma
falha na divisão celular de alguma linhagem de células, após a formação do zigoto.
Este cariótipo é
encontrado em aproximadamente 3% dos casos de Síndrome de Down.
7 - TRANSMISSÃO DO DIAGNÓSTICO
A transmissão do
diagnóstico é uma etapa muito importante na abordagem da Síndrome de Down. Ela deve
facilitar a aceitação do diagnóstico pela família. O médico deve ser cuidadoso e
sincero.
Existem dois momentos nessa
transmissão:
- Primeiro, quando ocorre a
suspeita inicial e é pedido o exame cromossómico.
- Segundo, quando se
tem a confirmação do diagnóstico pelo cariótipo.
TRANSMISSÃO DA SUSPEITA
É melhor que a
suspeita seja informada pelo médico mais íntimo da família.
Transmitir ao casal
na presença da criança.
Transmitir ainda na
maternidade, criando o ambiente propício.
Não fazê-lo antes do
primeiro contato entre os pais e a criança.
Esperar que já se tenha
estabelecido um vínculo mãe/pai/filho para transmissão.
Transmitir examinando a
criança e demonstrando carinho por ela.
Apontar as características
mais importantes que levaram à suspeita, justificando o pedido do estudo cromossómico.
Afirmar o nome da Síndrome
de Down.
Ouvir os pais, dando-lhes
apoio
Evitar transmitir
apressadamente, usando termos incompreensíveis e na presença de estranhos.
Em caso de dúvida, pedir
auxílio a um geneticista.
- TRANSMISSÃO DA
CONFIRMAÇÃO DIAGNÓSTICA
- Transmitir imediatamente à família a confirmação do
diagnóstico.
- Explicar a causa baseado no exame cromossómico.
- Informar as principais características da
Síndrome de Down, ressaltando os aspectos positivos.
- Afirmar que lidar com a criança será mais
fácil do que lhes parece.
- Afirmar que suas dificuldades maiores estarão na
área cognitiva e que ela terá um desenvolvimento mais lento, porém ela andará,
falará, comerá sem ajuda, desenvolverá hábitos de higiene, brincará com outras
crianças, terá autonomia para as actividades quotidianas e poderá ser alfabetizada.
- Informar que não existe tratamento
medicamentoso; no entanto, a aceitação, a estimulação psicomotora precoce
(intervenção essencial) e o convívio social são fundamentais para o desenvolvimento da
criança.
- Incentivar para que o diagnóstico seja contado a
parentes e pessoas de sua convivência, facilitando a aceitação.
- Incentivar a procura de outras famílias e
associações ligadas à Síndrome de Down.
- A intervenção essencial deve começar por volta
dos 3 meses, desde que a criança tenha condições de saúde.
- Deve ser evitado excesso de actividades nos
primeiros meses para que os laços entre os pais, filho e demais familiares se
estabeleçam com mais firmeza.
- Evitar prognósticos rígidos e de longo prazo.
8
- ADAPTAÇÃO PSICOLÓGICA DOS PAIS
Quando o casal percebe
que o seu filho tem Síndrome de Down, em um primeiro momento, ele sente que perdeu o
filho sonhado e planejado e ganhou um outro filho com características completamente
diferentes que não poderá realizar seus sonhos iniciais. Por isso sua reacção inicial
é de luto. A adaptação leva algum tempo. O conhecimento das fases pelas quais os pais
passam ajuda a melhor transmitir o diagnóstico e a compreender as reacções que
surgirem.
FASES
DA ADAPTAÇÃO
Choque:
É a reacção inicial, como se o
mundo tivesse desmoronado. Surge um pensamento: A vida nunca mais voltará a ser normal.
- Negação:
"Isto não está acontecendo
comigo, estou sonhando, vou acordar e a criança vai nascer sadia... O médico se enganou,
meu filho não tem este problema. Vou procurar outros médicos." A realização do
cariótipo ajuda a aceitar a realidade e superar esta fase.
- Culpa:
"Por que isto aconteceu comigo? O
que fiz de errado?" A explicação de que se trata de um acidente genético (em cerca
de 97% das vezes) onde não há culpados e que no processo de reprodução humana a falha
é muito comum, ajuda a enfrentar esta fase.
- Raiva:
Inicialmente é dirigida a quem deu a
má notícia. Por isso não se deve transmitir o diagnóstico ao pai ou à mãe
isoladamente para que ele ou ela o transmita ao parceiro. É menos desagregador que a
raiva se dirija ao médico.
Este factor contribui para que geralmente
os pais afirmem que o médico não soube comunicar o diagnóstico, mas isto não justifica
deixar de fazê-lo.
Em muitos momentos a raiva irá voltar e
muitas vezes dirigida à criança.
Deve-se explicar que isso é natural e a
melhor forma de lidar com esse sentimento é ter consciência de que ele existe.
- Adaptação:
Começa a aceitação da criança e os
pais se envolvem positivamente em seu tratamento.
- A vida volta ao normal:
Afirmar este facto desde o início
ajuda a conviver com os momentos mais difíceis.
9 - ORIENTAÇÕES GERAIS
PARA O CUIDADO DA CRIANÇA
Além das
complicações neonatais, grande parte dos esforços terapêuticos durante o primeiro ano
de vida se dirigirá para duas grandes questões: a hipotonia muscular e a fala. Algumas
orientações simples ajudarão neste trabalho:
- ALEITAMENTO
MATERNO
Importante
pelo aspecto nutricional, pela relação mãe-filho, e também para melhorar o tônus da
musculatura oral, o que será importante para o desenvolvimento da fala e posicionamento
da língua.
A cardiopatia congénita pode ser um
obstáculo à amamentação materna.
O aspecto emocional pode dificultar ou
até tornar impossível a amamentação. Aumentar a ansiedade materna dificultará mais
ainda o aleitamento, o sentimento de culpa e todo o relacionamento mãe-filho. Diante da
impossibilidade de amamentação, tranquilize a mãe.
USO DA
CHUPETA
Ajuda a
combater a hipotonia muscular oral e melhora o posicionamento da língua.
POSTURA
A
tendência do recém-nascido e do lactente Down é a manutenção das articulações em
hiperextensão e um dos objectivos da fisioterapia inicial é corrigir esta postura,
levando-o a uma posição de maior flexão. Ensine os pais a também fazerem isto.
Estimule os pais a colocarem a criança
para dormir em decúbito lateral direito ou esquerdo. Após a alimentação é preferível
o decúbito lateral direito pelo risco de refluxo gastro-esofágico. Também é
aconselhável manter a criança, sempre que possível, com a cabeça erguida, como se
estivesse sentada ou de pé (a visão do mundo deitado é completamente diferente).
IMPORTANTE
LEMBRAR
Dois factores
fundamentais para o desenvolvimento de qualquer criança são o amor e o estabelecimento
de limites e isto deve começar cedo.
Devem ser evitadas mudanças radicais na
vida dos familiares como parar de trabalhar ou mudar de cidade.
10 - ESCLARECENDO
ALGUMAS DÚVIDAS
Alguns conceitos
erróneos sobre a Síndrome de Down são muito difundidos na sociedade e é frequente que
os pais façam perguntas a respeito dos mesmos.
Apresentamos alguns aspectos que são
objectos de dúvidas e interrogações:
1. Não existe grau de Síndrome de Down;
o que não quer dizer que o seu desenvolvimento seja homogéneo.
2. São factores importantes no
desenvolvimento de cada paciente:
- Presença ou não de complicações
graves. A cardiopatia pode ser um factor limitante significativo.
- O amor e a aceitação da criança pelos
pais e familiares.
- O estabelecimento de limites.
- Estimulação adequada.
3. O único factor de risco bem
determinado quando se trata da trissomia livre é a idade materna elevada. Não importa se
a mulher é primípara ou multípara.
4. A trissomia livre ocorre por acidente
genético e não traz risco aumentado para outros familiares, excepto para os pais da
criança. O risco de recorrência em casos de trissomia livre é de 1 a 2%.
5. Terapias alternativas controversas têm
sido propostas para os pacientes Down através dos anos. Entre elas suplementos
nutricionais com vitaminas, minerais, aminoácidos, enzimas e hormónios, suplementação
com zinco e/ou selênio, tratamento com células sicca, uso de Piracetam, técnicas de
facilitação, quiropatia (manipulações músculo-esqueléticas). Até o momento não há
terapias médicas alternativas que tenham sido cientificamente comprovadas que resultem em
uma melhora significativa no desenvolvimento e melhora da saúde das crianças com
síndrome de Down.
11 -
AVALIAÇÃO NEONATAL
O período neonatal é
crítico para a própria sobrevivência do paciente Down.
Frequentemente a Síndrome se associa a
diversas anomalias congénitas que determinam um aumento na morbidade e mortalidade
neonatais e nos primeiros meses de vida.
As mais frequentes são as seguintes:
- MALFORMAÇÕES
CARDIOVASCULARES
As
malformações cardiovasculares são as anomalias congénitas mais frequentes na Síndrome
de Down, afetando 40 a 50% dos pacientes.
As mais comuns são as seguintes:
- Defeitos do septo atrio-ventricular.
- Defeitos do septo ventricular.
- Persistência do ducto arterial.
- Defeitos do septo atrial.
O diagnóstico preciso deve ser realizado
através do ecocardiograma. Mesmo nos pacientes assintomáticos este exame deve ser
realizado até o sexto mês de vida.
A maioria das malformações podem ser
cirurgicamente corrigidas, diminuindo sobremaneira a morbimortalidade.
- ALTERAÇÕES
ENDÓCRINAS
Aproximadamente
0,7% dos recém-nascidos Down apresentam hipotiroidismo congênito, conferindo uma
importância maior ao teste de triagem para esta patologia.
- ANOMALIAS
GASTROINTESTINAIS
Aproximadamente
12% dos pacientes apresentam anomalias gastrointestinais. As mais comuns são:
- Atresia de duodeno.
- Pâncreas anular.
- Doença de Hirschsprung.
- Atresia anal.
- Fístula traqueoesofágica.
- Estenose pilórica.
- ALTERAÇÕES
HEMATOLÓGICAS
As mais
frequentemente encontradas são:
- Reação leucemóide.
- Policitemia.
- Trombocitopenia.
- Eritroblastose fetal.
- Leucemia neo-natal.
- PROBLEMAS
OFTALMOLÓGICOS
Os mais
frequentes são:
- Nistagmo.
- Estrabismo.
- Opacificação de córnea.
Quando presentes deve ser solicitada uma
avaliação oftalmológica.
- PROBLEMAS
OTORRINOLARINGOLÓGICOS
Há uma
incidência aumentada de deficit auditivo neuro-sensorial congénito e nos primeiros meses
deve-se estar atento para esta possibilidade.
Pode haver colecções líquidas no ouvido
médio em até 15% dos recém-nascidos que são difíceis de visualizar pelo calibre do
conduto auditivo.
- ANOMALIAS
UROGENITAIS
Além de
criptorquia e hipospádia há uma frequência maior de malformações de rins e ureteres.
- DIFICULDADES
ALIMENTARES
A amamentação nos
primeiros dias pode ser dificultada por problemas anatómicos e pela hipotonia muscular.
Há uma melhora progressiva até a terceira ou quarta semana de vida.
12 - ROTINA DE
AVALIAÇÃO NEONATAL
Sabendo que as
anomalias descritas são mais frequentes que na população em geral, deve-se estar atento
aos seguintes aspectos na avaliação neonatal do paciente Down:
- CARDÍACA
- Sopro.
- Taquipnéia.
- Cianose.
- Hepatomegalia.
- OCULAR
-
Opacificação de córnea e cristalino.
- Movimentos oculares.
- AUDITIVA
-
Visualizar o tímpano - identificar presença de secreções.
Quando houver dúvidas quanto ao déficit
neuro-sensorial solicitar audiometria de tronco cerebral.
- TUBO
DIGESTIVO
-
Eliminação de mecónio.
- Dificuldade de sucção e/ou
deglutição.
- Presença de vómitos.
- Presença de sialorréia.
- TIRÓIDE
-
Verificar níveis de T4 e TSH.
- Níveis de fenilalanina plasmática.
- HEMATOLOGIA
-
Hemograma com contagem de plaquetas.
- OUTRAS
MALFORMAÇÕES
- Pesquisar a presença
de outras anomalias congénitas.
13 -
ACOMPANHAMENTO CLÍNICO
NA INFÂNCIA
A infância é decisiva
para que o paciente possa atingir a sua potencialidade.
A prevenção, detecção precoce e
tratamento imediato das diversas afecções intercorrentes vão evitar ou atenuar as
complicações limitantes para a vida.
O primeiro ano de vida é especialmente
importante. Tomam-se algumas decisões médicas decisivas para o resto da vida como
controle de infecções, tratamentos auditivos, cirurgia cardíaca. É o período de maior
risco de vida e as cardiopatias representam a principal causa de óbito. É também o ano
de maior velocidade de crescimento e desenvolvimento onde os programas de estimulação
apresentam as melhores respostas.
A avaliação do crescimento e
desenvolvimento, pela sua importância, é apresentada em tópico específico.
Além de observar a evolução de
possíveis complicações já detectadas no período neonatal e de realizar as
avaliações periódicas, é preciso estar atento aos seguintes aspectos:
- CARDIOPATIAS
Representam
o grupo de afecções mais importante desta fase, especialmente durante o primeiro ano.
Mesmo que o paciente seja assintomático,
deve ser realizado pelo menos um ecocardiograma nos primeiros 6 meses de vida.
- INFECÇÕES
Principalmente
as respiratórias, são a segunda causa de óbito no primeiro ano.
São frequentes as rinites, adenoidites,
amigdalites, laringites, bronquites, broncopneumonias, pneumonias e otites.
Blefaroconjuntivites e piodermites também são comuns.
- VISÃO
-
Estrabismo.
- Erros de refracção, especialmente
miopia.
- Nistagmo.
- Catarata.
- Obstrução do ducto lacrimal.
- AUDIÇÃO
-
Defeito funcional da tuba auditiva.
- Hipoacusia.
- Surdez.
- TIRÓIDE
-
Hipotiroidismo.
- Hipertiroidismo.
- SISTEMA
OSTEOARTICULAR
A
instabilidade atlanto-axial, pela frequência e gravidade dos problemas que pode
determinar (compressões medulares) exige realização rotineira de avaliação por volta
dos três ou quatro anos de idade.
É também comum a luxação do quadril.
- DENTIÇÃO
Costuma
ser tardia, pode haver falta de alguns dentes, pode haver outros problemas ortodônticos,
tendência a cáries, infecções periodontais.
Em toda consulta, avaliar os cuidados de
higiene dentária.
Deve ser estimulada as visitas regulares
ao dentista.
- NUTRIÇÃO
Quando não há
cardiopatia, existe tendência para a obesidade.
A criança obesa costuma ser o adulto
obeso, sendo importante a prescrição de uma dieta adequada e exercícios físicos
apropriados.
14 - ACOMPANHAMENTO
CLÍNICO
NA ADOLESCÊNCIA
A adolescência é a
idade dos desafios. Podemos dizer que hoje também para os pacientes Down isto é
verdadeiro. Somos testemunhas em nosso país de uma geração de adolescentes Down que
conquista cada vez espaços maiores.
A profissionalização e integração no
mercado de trabalho é uma reivindicação de familiares. O médico deve procurar se
inteirar do que é possível e existe em seu meio.
No entanto ainda é frequente nesta fase
da vida as dificuldades dos pais e profissionais de saúde em lidarem com os mesmos.
Tornam-se mais nítidas as diferenças entre as expectativas maternas e paternas e a
potencialidade do paciente. Como na população em geral, a adolescência é uma fase onde
começam a se manifestar os problemas emocionais e psiquiátricos.
A observação da evolução de possíveis
complicações de fases anteriores da vida e a realização de avaliações periódicas
são extremamente importantes.
Chamam atenção na adolescência:
- PUBERERDADE
E SEXUALIDADE
A
puberdade dos pacientes Down se processa de forma semelhante à dos demais adolescentes.
Os níveis hormonais também obedecem à
mesma ordem.
O ciclo menstrual é semelhante ao das
adolescentes sadias e geralmente elas são férteis (aproximadamente 50% das pacientes).
Há controvérsias quanto à fertilidade
masculina e até hoje existe na literatura apenas um caso de fertilidade no sexo
masculino.
Têm sido relatados casos de puberdade
precoce e tardia em associação a diversas patologias.
Diante da puberdade precoce deve-se pensar
na possibilidade de hipotiroidismo e de doença celíaca na puberdade tardia.
Existem inúmeras questões difíceis e
sem respostas nesta área. No entanto, não é correcto negar-lhes a sexualidade.
É importante a convivência com
adolescentes do sexo oposto e a permissão para expressão de sua afectividade e
sexualidade. A forma como isto acontecerá vai depender do paciente e dos costumes da
família.
Deve ser realizado o exame pélvico anual
nas adolescentes activas sexualmente.
- ACTIVIDADES
DESPORTIVAS
Deve ser
reavaliada a estabilidade da articulação atlanto-axial caso o
paciente deseje participar de actividades
desportivas.
- TRABALHO
Este é
um desafio actual. Em todo o mundo desenvolvem-se estudos e esforços para propiciar a
integração da pessoa Down no trabalho produtivo.
O estímulo é melhor que o cerceamento.
No entanto, deve-se respeitar a potencialidade individual.
Uma avaliação poderá ajudar na
definição das condutas em cada caso.
- PROBLEMAS
CLÍNICOS MAIS FREQUENTES:
- INFECÇÕES DE PELE
São comuns as infecções de pele por
estafilococos e a escabiose. A região perineal, nádegas e coxas são mais frequentemente
atingidas.
- TENDÊNCIA À OBESIDADE
Continua nesta fase da vida a
tendência à obesidade demonstrada desde cedo, mesmo com dietas equilibradas. As
actividades desportivas e um rigor maior na qualidade e quantidade de alimentos ajudam no
controle.
- PROBLEMAS PSICOLÓGICOS E PSIQUIÁTRICOS
Como qualquer outro adolescente podem se
tornar anti-sociais, tristes e deprimidos. Distúrbios psiquiátricos ou de comportamento
com padrões de adulto podem começar na adolescência.
15 -
ACOMPANHAMENTO CLÍNICO
NA IDADE ADULTA
A característica mais
marcante nesta fase da vida é a tendência ao envelhecimento precoce. Além dos controles
periódicos e da observação evolutiva das complicações apresentadas nas fases
anteriores, deve-se ter atenção para as seguintes complicações bastante frequentes
nesta idade:
- Prolapso de valva mitral.
- Hipotiroidismo.
- Deficiência auditiva.
- Catarata adquirida.
ACOMPANHAMENTO
CLÍNICO - AVALIAÇÕES REGULARES
No acompanhamento do paciente Down, além
de levar em consideração os aspectos específicos de cada faixa etária é necessário
estar atento para algumas complicações que podem ocorrer durante toda sua vida.
- ANOMALIAS CARDIOVASCULARES
As anomalias cardiovasculares são as
complicações mais frequentes e representam problemas significativos durante toda a vida.
Pela sua frequência e ameaça à vida, é
particularmente importante no período neonatal e infância e por isso foram tratadas em
mais detalhes nestes tópicos. No entanto, muitas podem passar assintomáticas durante
grande parte da vida e outras surgem com a idade. Neste último caso se encontra o
prolapso mitral.
É necessário também estar atento às
possíveis complicações das cardiopatias já diagnosticadas e tratadas clínica ou
cirurgicamente.
- ALTERAÇÕES ENDÓCRINAS
O risco de disfunção da tiróide
aumenta com a idade. Aproximadamente 0,7% dos recém-nascidos apresentam hipotiroidismo.
Esta percentagem é de 12% entre os adultos.
O hipotiroidismo é tratável com
reposição hormonal e seu controle é de extrema importância para o desenvolvimento
normal. A detecção precoce do mesmo é essencial e deve ser feita laboratorialmente pois
é difícil a identificação precoce dos seus sinais e sintomas que se confundem com
alguns dos sinais e sintomas da Síndrome.
O hipertiroidismo é bem mais raro e pode
ser tratado através dos métodos convencionais.
- PROBLEMAS OFTALMOLÓGICOS
Inúmeros problemas oftalmológicos
afectam estes pacientes. Os mais significativos são os distúrbios da refracção,
principalmente a miopia, o estrabismo e o nistagmo. Mas também são frequentes
blefaroconjuntivites, cataratas e ceratoconus.
Como o seu desenvolvimento é lento e
necessita de uma estimulação adequada, a atenção aos órgãos dos sentidos, que os
põe em contacto com o mundo, é crucial. A negligência nestas áreas pode acarretar um
comprometimento muito significativo.
- PROBLEMAS OTORRINOLARINGOLÓGICOS
Uma das áreas que merece maior
atenção do médico é a protecção do aparelho auditivo. Não só pelas patologias que
sediam, mas também pelo papel que a audição representa na aquisição da linguagem, uma
das áreas cruciais em seu desenvolvimento.
Diversos problemas contribuem para as
dificuldades nesta área. Dentre eles se destacam:
- Orelhas menores.
- Diâmetro reduzido do conduto auditivo
externo.
- Infecções respiratórias repetidas e
suas sequelas sobre a membrana timpânica e os ossículos do ouvido médio.
- A hipotonia, contribuindo para a
disfunção da trompa de Eustáquio.
- Menor comprimento da cóclea.
- Malformações do sistema vestibular.
- PROBLEMAS MUSCULOESQUELÉTICOS
Embora sejam muito conhecidas as
alterações anatómicas dos ossos do quadril, principalmente o acétabulo raso e a
frouxidão ligamentar, a principal complicação nesta área é a instabilidade da
articulação atlanto-axial (vértebras C1-C2) que pode ter consequências graves.
Este facto deve ser levado em conta ao
liberar estes pacientes para actividades desportivas e quando for submetê-los à
hiperextensão do pescoço durante actos anestésicos.
- PROBLEMAS IMUNOLÓGICOS
As infecções continuam sendo uma
importante causa de morte nos indivíduos com Síndrome de Down. Além disso, o risco
aumentado para leucemias e doenças auto-imunes sugerem problemas de imunodeficiência
nestes pacientes.
- PROBLEMAS HEMATOLÓGICOS
As leucemias agudas são as doenças
mais comuns em pacientes com menos de 15 anos de idade. A sua idade de início é bimodal,
com um pico no período neonatal e outro entre os 3 e 6 anos.
Além disso, os recém-nascidos podem
apresentar reacção leucemóide transitória ou leucemia transitória que costumam
desaparecer entre um e três meses de idade.
- AVALIAÇÕES REGULARES
Deve ser oferecido ao paciente Down o
acompanhamento clínico comum a qualquer pessoa. No entanto, levando em conta os problemas
clínicos que costuma apresentar, a realização de algumas avaliações regulares vêm se
consolidando.
A sua aplicação pode ser flexível,
levando em conta o paciente e os recursos disponíveis.
- FUNÇÃO
TIREOIDIANA (T4 e TSH):
Ao nascimento, com 6 e 12
meses e a partir de então anualmente.
- AVALIAÇÃO
OFTALMOLÓGICA:
Anual ou bianualmente.
- AVALIAÇÃO
AUDITIVA:
Anual ou bianualmente. Onde
possível, é recomendável nos primeiros meses realizar audiometria de tronco cerebral.
- AVALIAÇÃO
CARDIOLÓGICA:
Através de ecocardiograma.
Quando surgirem sintomas ou até o sexto mês de vida quando assintomático.
- AVALIAÇÃO DA
ARTICULAÇÃO ATLANTO-AXIAL:
Entre os 3 e 4 anos, na adolescência e antes de liberar para
práticas desportivas.
16 - ASPECTOS GERAIS
A correcta avaliação
do crescimento e desenvolvimento, principalmente nos primeiros anos, permite a detecção
de problemas que podem impedir a plena realização do potencial de cada indivíduo.
A avaliação do paciente Down é
semelhante ao de todas as crianças. No entanto, como o seu ritmo de crescimento e
desenvolvimento é mais lento é necessário atenção para tranquilizar os pais ou não
deixar de estimulá-lo quando estiver apto para desenvolver determinada habilidade.
Certifique-se de que está usando curvas e
tabelas adequadas para a síndrome.
Evite utilizar as usuais e comparar
permitindo um desvio para menos, pois a diferença entre os ritmos não é harmónica nas
diversas áreas.
Após os três anos de idade, verifique se
a criança está frequentando um programa adequado de estimulação.
- AVALIAÇÃO
DO CRESCIMENTO
Ao
nascer o peso e a estatura costumam ser menores, mas geralmente dentro da normalidade,
desde que não haja cardiopatia.
Apresentam membros mais curtos em
relação ao tronco.
A sua velocidade de crescimento é mais
lenta que a das demais crianças e essa diferença se acentua a partir dos 4 anos.
Existem curvas próprias para avaliar o
peso, estatura e perímetro cefálico.
Lembre-se: mais importante que a
avaliação do momento (transversal) é o acompanhamento a longo prazo (avaliação
longitudinal).
Verifique se a criança se mantém dentro
do seu canal de crescimento. Se começar a verificar mudanças no mesmo, investigue a
presença de alguma patologia, especialmente cardiopatias ou hipotiroidismo.
Existe uma tendência à obesidade, de
leve a moderada. Mesmo com dietas adequadas.
A estatura final média é menor do que a
da população em geral.
É comum o envelhecimento precoce.
- AVALIAÇÃO
DO DESENVOLVIMENTO
No
processo de desenvolvimento destacam-se dois componentes:
- Sequência: é a ordem em que as
habilidades são adquiridas. Por exemplo, primeiro a criança firma o pescoço, depois
senta, depois anda.
- Ritmo: é o tempo que ela gasta para
adquirir cada habilidade.
A sequência do desenvolvimento na
Síndrome de Down é a mesma das crianças normais.
O ritmo é próprio e mais lento e deve
ser respeitado.
À medida que o tempo passa, mais nítida
se torna o desfasamento em relação às crianças normais; porém, o desenvolvimento
prossegue.
O importante não é a idade de cada
aquisição, mas o desenvolvimento progressivo.
A tabela de desenvolvimento mostra o ritmo
das aquisições de habilidades nos primeiros anos de vida, comparando-o ao ritmo
esperado, sendo útil na avaliação do paciente.
A estimulação permite melhorar o ritmo
dos pacientes Down e a maior realização de seu potencial. Ela deve ser feita por
especialistas.
Lembre-se que além do ritmo próprio,
mais lento, da síndrome, existe o ritmo de cada indivíduo que é pessoal e também deve
ser respeitado.
Evite fazer previsões do desenvolvimento
a longo prazo, principalmente em idades precoces.
A tabela do desenvolvimento apresentando
os principais marcos está disponível. Clique para ver
-
DESENVOLVIMENTO AOS 5
ANOS
Em geral, a criança Down aos
5 anos estará andando, correndo e subindo escadas.
Estará apta a retirar algumas peças de roupa
mas precisará de ajuda para se vestir.
Já controlará esfíncteres durante o dia.
Alguns falarão bem, mas a maioria falará apenas
frases de três palavras.
Como em qualquer avaliação de desenvolvimento,
pode haver um progresso com maior ou menor rapidez.
É aceitável o atraso em apenas uma ou duas
áreas.
- DESENVOLVIMENTO AOS 10
ANOS
Em geral, nesta idade, o paciente
estará fazendo progressos nos primeiros anos da escola.
Terá melhor desempenho na
leitura que em matemática.
Embora tenha uma tendência maior a fugir das
dificuldades, não costuma ter problemas de comportamento diferentes das demais crianças.
17 - REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
1. Garcia, G.L.; Roth, M.G.M.; Sobreiro,
B.P. Síndrome de Down: Manual de Orientação para Pais. Pelotas. UFPEL/Editora
Universitária. 1991.
2. Jones, K.L. Smith's; Recognizable
Patterns of Human Malformation. 4th ed. Philadelphia. W.B.Saunders Co. 1988.
3. Mustacchi, Z.; Rozone, G. Síndrome de
Down: Aspectos Clínicos e Odontológicos. São Paulo. CID Editora, 1990.
4. Projecto Down; A Síndrome de Down
Passada a Limpo. São Paulo, 1995.
5. Pueschel, S.M.; Síndrome de Down -
Guia para Pais e Educadores. Campinas. Papirus Editora. 1993.
6. Rogers, P.T.; Coleman, M.; Medical Care
in Down Syndrome. A Preventive Medicine Approach. New York. Marcel Dekker Inc. 1992.
7. Selikowitz, M.; Down Syndrome: The
Facts. Oxford. Oxford University Press.1990.
8. Werneck, Cláudia; Muito Prazer, Eu
Existo. 3a.ed. Rio de Janeiro. Ed. WVA. 1993.
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