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ÍNDICE
Introdução
O Problema
Metodologia
Análise e
Proposição
Outras
Proposições
Considerações Finais
Referências Bibliográficas
Introdução
A aprovação da Lei de
Diretrizes Educacionais - LDB (Lei 9394/96) estabeleceu, entre
outros princípios, o de "igualdade e condições para o acesso e
permanência na escola" e adotou nova modalidade de educação para
"educandos com necessidades especiais." Desde então, a temática da
Inclusão vem rendendo, tanto no meio acadêmico quanto na própria
sociedade, novas e acaloradas discussões embora, ainda, carregue
consigo sentidos distorcidos.
De acordo com uma
pesquisa realizada em 1999 pela Federação das Associações de
Síndrome de Down, a única realizada no Brasil até o momento,
"quase 80% das pessoas com síndrome de down freqüentavam a escola no
momento da pesquisa. Quanto à natureza dos estabelecimentos de
ensino mais freqüentados: 30% dos estudantes freqüentam escolas
especiais públicas e 24%
estão em escolas especiais privadas.
Observa-se pois, que mais da metade dessas pessoas estão em escolas
especiais, o que não coaduna com a tendência mundial para educação
inclusiva."
Na
efervescência das discussões a respeito da Inclusão, tais dados são
reveladores e ganham ainda mais importância neste momento de
afirmação das práticas e teorias que a fundamentam. Falar desta para
portadores da síndrome de down significa entender que seu grau de
desenvolvimento e socialização pode ser bastante satisfatório quando
os mesmos passam a ser vistos como indivíduos capazes de fazer parte
de um mundo designado para habilidosos e competentes.
O portador da síndrome
de down é capaz de compreender suas limitações e conviver com suas
dificuldades, "73% deles tem autonomia para tomar iniciativas,
não precisando que os pais digam a todo momento o que deve ser
feito." (p12). Isso demonstra a necessidade/possibilidade desses
indivíduos de participar e interferir com certa autonomia em um
mundo onde "normais" e deficientes são semelhantes em suas inúmeras
diferenças.
Como se sabe, o
referencial de pessoas que vivem segregadas acarreta o
desenvolvimento de sentimentos preconceituosos, aumentando a visão
de mundo estereotipado. Neste contexto, a escola especial priva
esses indivíduos de expandir suas relações sociais e impede que seus
esforços intelectuais cresçam. O portador da síndrome de down, e
todo aquele com necessidades especiais, precisa antes de mais nada
pertencer à sociedade, ser parte integrante e respeitado em suas
limitações e alcances.
Por
outro lado, "...atualmente, no ensino regular, a criança deve
adequar-se à estrutura da escola para ser integrada com sucesso. O
correto seria mudar o sistema, mas não a criança. No ensino
inclusivo, a estrutura escolar é que se deve ajustar às necessidades
de todos os alunos, favorecendo a integração e o desenvolvimento de
todos, tenham NEE ou não" (Schwartzman, p253)
O
Problema
Mas como mudar o
sistema sem propor uma mudança nos seus componentes?
Primeiramente, há de
se entender que fatores internos à estrutura escolar, tais como a
organização (administrativa e disciplinar), o currículo, os métodos
e os recursos humanos e materiais da escola são determinantes para a
inclusão desses alunos com deficiência.
Contudo, a figura do
professor neste contexto é ainda mais relevante, uma vez que este é
desenvolvedor das ações mais diretas no processo de inclusão, quais
sejam, lidar com as diferenças e preconceitos por parte de pais e
alunos; com as expectativas e possíveis frustrações dos familiares
portadores da síndrome; com as limitações e alcances dos próprios
portadores, dentre outras.
Neste novo paradigma,
onde se verifica o surgimento de novas e maiores responsabilidades,
parece clara a necessidade de uma formação mais eclética para o
professor, que inclua conhecimentos teóricos específicos com
fundamentos médicos, psicológicos, pedagógicos e sociológicos.
Pois bem, exatamente
com a intenção de averiguar a qualificação do professor no tocante a
esses diversos conhecimentos, desenvolveu-se uma Pesquisa de campo,
cujo modelo está inspirado num estudo de caso - uma escola pública
do ensino regular de Brasília, pioneira no processo de inclusão.
Metodologia
Para efetivação do
estudo, foram elaborados questionários dirigidos para professores,
diretores e especialistas que trabalham diretamente com alunos
Portadores da Síndrome de Down e que fazem parte do processo de
inclusão. Os resultados foram, então, analisados com base em
fundamentação teórica para, mais tarde, respaldar proposições de
mudança que pudessem interferir positivamente no quadro encontrado.
Análise
e Proposição
Os questionamentos
trouxeram informações importantes e por vezes reveladoras para
compreensão de tantas dificuldades e alguns sucessos.
O professor que
trabalha no processo de inclusão, não raro, direciona suas ações em
sala de aula por meio de uma vontade enorme de acertar, busca
soluções por meios abstratos e que transcendem alguns limites, é um
batalhador que sonha com as transformações.
As carências no
tocante a expansão de seu conhecimentos teóricos são muitas, mas
ainda sim, consegue lidar com questões como identificação de limites
e alcances cognitivos, motores e afetivos, ainda que para conhecer
as dificuldades dos processos de ensino/aprendizagem das pessoas com
síndrome de down, necessitamos da ciência médica, psicológica,
sociológica e pedagógica.
O estudo revelou haver
lacunas entre os ideais propostos e a prática existente nas escolas,
é preciso que para além dos ideais proclamados e das garantias
legais, se conheça o mais profundamente possível as condições reais
de nossa educação escolar. A partir daí torna-se possível
identificar e dimensionar os principais ponto da mudança necessária
para o alcance da qualidade que se espera da educação escolar.
Os conhecimentos
teóricos trazem contribuições importantes e permitem ao professor
fundamentar suas ações. A ausência destes conhecimentos limita as
mudanças, restringindo também os papéis que a criança portadora da
síndrome pode representar tanto na escola como na sociedade.
Como diria a
Professora Doutora Leny Magalhães Mrech da Faculdade de Educação da
Universidade de São Paulo "...é preciso fornecer aos professores
de classe comum informações apropriadas a respeito das dificuldades
da criança, dos seus processos de aprendizagem, do seu
desenvolvimento social e individual..."
O professor precisa
estar consciente de sua importância e da função que desempenha
perante este momento tão importante. Como se vê, é na relação
concreta entre o educando e o professor que se localizam os
elementos que possibilitam decisões educacionais mais acertadas, e
não somente no aluno ou na escola. O sentido especial da educação
consiste no amor e no respeito ao outro, que são as atitudes
mediadoras da competência ou da sua busca para melhor favorecer o
crescimento e desenvolvimento do outro.
Outro dado importante
é o conhecimento de uma abordagem holística, no sentido de
integração e revelação do contexto de vida do portador da síndrome.
A relação com seus pais pode revelar expectativas e/ou frustrações,
com irmãos pode determinar sentimentos positivos como grande
afetividade ou negativos como vergonha, e amigos, que pode trazer
informações sobre preconceitos e conquistas de espaço.
Ter acesso aos outros
profissionais, como fonoaudiólogos e fisioterapeutas envolvidos no
desenvolvimento deste indivíduo, podem também trazer contribuições
significativas para as ações do professor em sala de aula.
Em que pese os
esforços da instituição objeto da Pesquisa e, até mesmo, pessoais
dos entrevistados, a análise da Pesquisa revela, entre os
profissionais envolvidos com o processo de inclusão do portador da
SD, por vezes alguma desinformação, outras vezes a informação
distorcida.
Tal constatação
aponta, necessariamente, para um melhor planejamento da formação dos
recursos humanos, entende-se profissionais envolvidos, com vistas a
criar uma cultura de base a respeito da Síndrome e outros tipos de
deficiência e, também, dos referenciais teóricos tocantes à
inclusão, que permita, uma vez combinada organizadamente com o
conhecimento e a experiência prática desses educadores, alcançar
novos patamares de qualidade no decorrer do processo de inclusão.
A evolução do processo
torna-se mais evidente e significativa na medida em que o
profissional toma posse dos conhecimentos, sente-se mais seguro e
confiante para compreender os limites individuais, independente até
das necessidades especiais que os alunos possam apresentar, e
consegue explorar as pontecialidades que os mesmos certamente
possuem.
Outras
Proposições
Após
toda a explanação feita sobre o processo de inclusão, que se fixou
numa preocupação quanto a formação dos profissionais ligados
diretamente com o indivíduo incluso pode-se observar necessidades de
trabalhar outros elementos que não foram contemplados na pesquisa e
que agora serão mencionados junto a uma proposta de intervenção com
sentido de agregar sugestões que visam melhorar as condições de
adequação do Portador da Síndrome de Down em escolas do ensino
regular.
Família
do Portador da Síndrome de Down
Após
a (in)formação dos professores, o passo seguinte, é realizar uma
entrevista com a família e com o aluno para conhecer melhor a sua
convivência familiar e social, suas dificuldades, potencialidades e
quais as expectativas com relação a Escola.
Nesse momento deve ser
esclarecido sobre a necessidade do comprometimento da família em
acompanhar o aluno de forma sistemática em reuniões individuais e
coletivas sempre que houver necessidade. Deve ser esclarecida,
também, a proposta pedagógica da Escola, desde as regras coletivas
até o processo de avaliação. Deve-se colocar, por exemplo, que a
sala onde o aluno frequentará as aulas dependerá de análise
realizada pela equipe pedagógica em articulação com os professores,
levando em consideração, entre outros fatores, a sua idade
cronológica.
É preciso que a
família sinta-se confortável, segura, confiante e realista diante
das novas possibilidades que surgem diante da inclusão.
Família
dos Não Portadores da Síndrome de Down
Dentro das
proposições, o próximo passo sugere abordar, adicionalmente, a
família dos demais alunos como forma, inclusive, de sedimentar uma
"primeira ponte" com as crianças que serão colegas de turma do
portador da síndrome. A idéia é que sejam promovidos encontros,
seminários e palestras que visam gerar uma consciência crítica e
cooperativa de todos envolvidos no cotidiano escolar, criar uma nova
mentalidade junto aos alunos, educadores e pais de alunos, de modo a
garantir o desenvolvimento de todos os alunos, portadores ou não,
numa escola de qualidade.
O objetivo é lançar
mão de novas (e antigas) proposições de conscientização das
desigualdades sociais e culturais, que auxiliem a resgatar a
verdadeira função social da escola e democratizá-la em todos os
níveis, tornando-a um agente de reformulação dos princípios de ação
individual e competitiva para uma articulação de ações solidárias e
cooperativas. Enfim, o sentido é socializar os bons resultados para
fortalecimento de todos envolvidos.
Colegas
de Turma
O próximo passo, não
menos importante, é preparar a turma para receber o aluno. Antes do
aluno chegar a turma deve ser esclarecida a respeito de sua
deficiência e como todos podem se ajudar mutuamente. É de extrema
importância criar um clima de expectativas positivas com relação as
possibilidades de aprendizagem do aluno e agrupar os alunos desde o
primeiro dia de aula.
Ainda que as
necessidades específicas de cada aluno possam redundar em adaptações
necessárias das atividades realizadas em sala de aula, o mais
importante é torná-los cientes da diversidade mas, também, das
possibilidades de crescimento individual e coletivo em razão dessas
diferenças.
Portadores
da Síndrome
Finalmente, o último
passo, com todo este aparato de informações oferecido a todos os
intervenientes do processo de inclusão, cercar o portador de toda a
atenção para que lhe seja permitido, segundo suas próprias
possibilidades, desenvolver-se continuamente, tornando-o capaz,
inclusive e quando possível, de discernir a respeito de sua condição
especial sem, contudo, associá-la a um parâmetro inferior.
Considerações
Finais
É na convivência com
outros e com o meio ambiente que as necessidades de qualquer ser
humano se apresentam. Em razão disso, é importante questionar os
critérios que têm sido utilizados para distinguir as necessidades
especiais das necessidades comuns e vice-versa, em particular no
contexto escolar. Sabemos, de há muito, que o homem se distingue de
tudo o mais no mundo pela palavra e pela ação. E, como nos ensina
Hannah Arendt, "esta inserção no mundo humano, por palavras e
atos, é como um segundo nascimento, no qual confirmamos e
assumimos o fato original e singular do nosso aparecimento físico
original". É fundamental, pois, a compreensão de que a inclusão
e integração de qualquer cidadão, com necessidades especiais ou não,
são condicionadas pelo seu contexto de vida, ou seja, dependem das
condições sociais, econômicas e culturais da família, da escola e da
sociedade. Dependem, pois, da ação de cada um e de todos nós.
Para
maiores discussões:
E
mail:
belanap@icqmail.com
Referências
Bibliográficas:
-
Federação das associações de Síndrome de Down
Perfil
das percepções sobre pessoas com Síndrome de Down e do seu
atendimento: Aspectos Qualitativos e Quantitativos (relatório
resumido) Brasília, 1999
-
Síndrome de Down, José Salomão Schwartznan, São Paulo: Mackenzie:
Memnon, 1999
FIM
DO ARTIGO
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