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Para uma eficaz intervenção psicopedagógica nos casos
de dislexia, disgrafia e disortografia, há necessidade de o profissional
descrever a situação para poder explicar perante aos pais e à escola o que
ocorre no cérebro das crianças com necessidades educacionais específicas.
Isto significa dizer que terá a missão de representar fielmente o caso do
disléxico em seu plano de trabalho, por escrito ou oralmente, no seu todo ou
em detalhes. É através da descrição que o Profissional fará relato
circunstanciado das dificuldades lectoescritoras, de modo a explicar, em
seguida, as dificuldades lectoescritoras caracterizadas na anamnse.
Uma descrição rica de detalhes historiais dos educandos com necessidades
educacionais permitirá uma melhor elucidação das dificuldades de
aprendizagem lectoescritoras e, também, justificará medidas mais seguras e
eficientes no momento da avaliação e da intervenção psicopedagógica.
Outro verbo a ser conjugado pelo psicopedagogo
é o de avaliar para intervir e a partir solucionar ou compensar a
dificuldade do educando. Assim, descrito
e explicado o caso psicopedagógico, o profissional que atua com as crianças,
jovens ou adultos com dislexia, disgrafia ou disortografia poderá verificar,
objetivamente, os dados das dificuldades levantados junto aos professores,
pais dos alunos e os próprios alunos. A pauta, protocolo ou ficha de
observação quanto mais ampla mais eficaz. As avaliações escolares
tradicionais também não podem ser descartadas ou negligenciadas uma vez que
são verificações que objetivam determinar a competência do educando.
A intervenção
psicopedagógica deve ocorrer quando o profissional se sente seguro
teoricamente para praticar atividades que atuem diretamente nas dificuldades
dos educandos disléxicos, disgráficos e disortográficos. A intervenção
psicopedagógica é uma capacidade, advinda da experiência, de fazer algo com
eficiência. Em geral, é um período em que alunos deixam, em algumas horas do
seu tempo regular de estudo escolar, na própria instituição de ensino, a
sala de aula e passam a receber treinamento específico para a superação de
suas dificuldades.
Para
ilustrar no artigo com exemplos reais de casos de dislexia, vamos expor, de
forma sintética, relatos de pais, profissionais de educação da fala e
educadores sobre dificuldades específicas na linguagem escrita de seus
filhos e educandos:
1º
caso -
“
Fui chamada na escola
de meu filho porque ele tem problemas com a escrita, faz trocas de letras
como v/f, d/t, ele tem 9 anos está na terceira serie, pediram para que o
leve para fazer uma avaliação com uma fono, queria saber se este caminho que
devo seguir, ou o que devo fazer grata “
2º
caso –
“Tenho uma paciente de 27 anos que apresenta algumas dificuldades na escrita
e na fala. Em uma das atividades que realizei com ela, a mesma apresentou-se
nervosa ao ler,trocando algumas letras. Ao pedir para ela falasse qual o
número que estava no dado, a mesma teve dificuldades; tendo dificuldade
também em distinguir letras aleatórias, trocando principalmente as letras F
e V. A paciente relata ser muito agressiva querendo bater nas pessoas e não
gosta de "conviver" com elas. Sente ódio de todos.Gostaria de saber como
faço para verificar se ela pode ter Dislexia?.”
3º caso –
“ Tenho uma
filha de 8 anos e meio diagnosticada com dislexia, além de ter disgrafia e
disortografia. A Fono disse que a dislexia dele é bem leve. Ela lê
razoavelmente bem, apesar de soletrar muitas vezes, principalmente as
palavras pouco freqüentes, mas eu acredito que a disgrafia e a disortografia
nela sejam um pouco mais severas que a dificuldade de leitura propriamente
dita. Ela não consegue escrever uma frase sem cometer vários erros, em
palavras que já escreveu várias vezes (sempre escreve valar ao invés de
falar, xegou ao invés de chegou, soldade ao invés de saudade entre outras
coisas) e a aparência gráfica de sua letra é muito franca, parece de criança
ensaiando as primeiras letras. No entanto ela gosta muito de escrever, tem
um diário, escreve historinhas, só que é uma luta conseguirmos decifrar o
que ela quis dizer.Gostaria de saber, se poderia indicar alguma literatura,
que contivesse exercícios especificamente para disgrafia e disortografia .”
Tomando,
para a rápida análise e sistematização dos relatos de casos de dislexia
acima, muito comuns nas queixas de crianças, pais e docentes, observaremos
que, em geral, são estes indícios típicos de dificuldades em leitura,
escrita e disortografia:
(1) progresso muito lento na aquisição das habilidades de leitura;
(2) problemas ao ler palavras desconhecidas (novas, não-familiares), que
devem ser pronunciadas em voz alta;
(3) tropeços ao ler palavras polissilábicas, ou deficiências o ter de
pronunciar a palavra inteira;
(4) A leitura em voz alta é contaminada por substituições, omissões e
palavras malpronunciadas;
(5) Leitura muito lenta e cansativa;
(6) Dificuldades para lembrar nomes de pessoas e de lugares e confusão
quando os nomes se parecem;
(7) Falta de vontade de ler por prazer;
(8) Ortografia que permanece problemática e preferência por palavras menos
complexas ao escrever;
(9) Substituição de palavras que não consegue ler por palavras inventadas e
(10) Problemas ao ler e pronunciar palavras incomuns, estranhas ou
singulares, tais como o nome de pessoas, de ruas e de locais, nomes dos
pratos de um menu. |