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TESTE DETECTA AUTISMO E ATRASO MENTAL
Investigação poderá trazer novo fôlego à pesquisa 
sobre tratamento destes distúrbios

in: 06/05/2000


* Helena Mendonça                                                    * Com Agência France-Presse  

 

   

Cientistas americanos anunciaram ter conseguido criar um teste que permite detectar no recém-nascido a presença de futuras perturbações autistas ou de atraso mental, divulgou ontem a imprensa americana. Depois do revés, anunciado no final do ano passado, no tratamento destes distúrbios, a descoberta poderá constituir um novo passo e uma nova esperança na pesquisa para o tratamento.

Os resultados da investigação foram anunciados no congresso anual da Academia Americana de Neurologia, que decorreu esta semana em San Diego, na Califórnia. Os cientistas analisaram amostras sanguíneas retiradas a cerca de 250 crianças nos anos 80. Em 90 por cento daqueles que revelaram mais tarde autismo ou atraso mental, foram detectados níveis anormalmente elevados de quatro substâncias químicas, apelidadas de péptidos (proteínas) e que têm um papel fundamental no desenvolvimento mental. Trata-se do péptido intestinal vaso-activo (VIP), do péptido ligado ao gene da calcitonina (CGRP), do factor neurotrópico cerebral (BDNF) a da neurotrofina‑4 (NT4).

 Nas crianças que tiveram um desenvolvimento normal a quantidade destas proteínas não era tão elevada.

A descoberta parece confirmar aquilo que a comunidade médica há muito supunha: que o autismo ou o atraso mental está ligado a um desequilíbrio químico responsável por um funcionamento defeituoso do sistema nervoso central, resultante de uma combinação de factores genéticos e sociais.

O teste agora divulgado vai proporcionar que os tratamentos sejam iniciados mais cedo, logo à nascença, sob a forma de suplementos nutricionais ou de tratamentos hormonais destinados a favorecer um melhor desenvolvimento cerebral.

«Tanto para o autismo como para o atraso mental, esta é a primeira vez que alguém identifica um marcador biológico de uma forma tão clara a numa idade tão precoce», comentou Walter Herlihy, presidente da Repligen, uma sociedade farmacêutica que investiga formas de tratamento para o autismo.

Cauteloso, John Harris, o coordenador da equipa de investigadores do programa de prevenção das doenças congénitas, de Berkeley, disse no congresso «não querer utilizar a palavra faro para adjectivar esta descoberta, mas parece‑me que é disso que se trata».

De acordo com Karim Nelson, um neurologista do Instituto Nacional das Doenças Nervosas de Bethesda (Maryland), que apresentou a descoberta no congresso de San Diego, os resultados da pesquisa serão publicados muito em breve. Advertiu, porém, que a investigação vai ser objecto de novos estudos, a fim de poder confirmar os resultados obtidos até agora.

Com o teste de detecção do distúrbio a investigação sobre o autismo ganha um novo fôlego, depois do retrocesso na investigação, anunciado no final do ano passado, quando se descobriu que a secretina, substância considerada fundamental no tratamento da doença, podia ser perigosa. Os cientistas chegaram mesmo à conclusão que o tratamento com esta hormona sintética não melhorava o estado das crianças autistas.

O estudo, realizado em 1999 pelo Instituto norte-americano de Saúde Infantil a Desenvolvimento Humano, envolveu 56 crianças autistas. Destas, metade recebeu uma dose intravenosa de secretina e à outra metade foram ministradas injecções de uma solução salina inofensiva.

Os testes que se seguiram ao tratamento permitiram verificar alterações de comportamento nos dois grupos, sem diferenças. Com estes resultados, os investigadores alertaram os pais de crianças autistas que tomavam a secretina - uma hormona produzida no intestino delgado a que actua sobre o pâncreas para ajudar a digestão -  para suspender a medicação. A corrida à substância deu-se quando a comunicação social americana anunciou em 1998 que um rapaz autista, com problemas digestivos, melhorou através da secretina.

De doença a desordem do comportamento

O autismo define-se por ser um problema do desenvolvimento, afectando uma em cada duas mil crianças. Os sintomas revelam-se perto dos três anos, quando a criança manifesta dificuldades em comunicar com o exterior. Considerado inicialmente uma doença, percebeu-se depois que se trata de uma desordem do desenvolvimento com origem genética. Em 1999, estudos americanos concluíram que as causas do problema poderão estar no cromossoma 13.

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Nota: Pode consultar. em inglês, o site da Repligen: 

 http://www.repligen.com/