O que dizem os professores, os
pais, os alunos e agora os psicólogos.
Outubro/2004
O tema dos TPC foi sempre polémico e é, cada
vez mais…menos consensual!
Questiona-se se se devem mandar trabalhos
para fazer em casa, muitos ou poucos, sempre ou às vezes
- Devemos mandar trabalhos escolares para
casa? Muitos ou poucos?
- Todos os dias ou só às vezes?
- Os trabalhos são todos corrigidos ou só
“vistos”?
- Devem os pais ajudar? Devem os pais
ensinar ?
- Quais as vantagens e desvantagens destes
trabalhos?
- Quanto tempo devem ocupar os tais
deveres dos trabalhos de casa?
Do ponto de vista dos professores, raros são
os que não exigem muitos trabalhos de casa e esses nem sempre são bem vistos
pelos pais e pelos próprios colegas; já o mesmo não se pode dizer dos alunos
que os referem ou comentam como “ ele/a é fixe não manda muitos trabalhos de
casa” ou “ ele/a não bate nem nos deixa de castigo por causa dos trabalhos”
“ ele/a deixa-nos escolher o trabalho e dá-nos coisas”.
Do ponto de vista das famílias muitas ficam
angustiadas com a resolução dos trabalhos de casa. Obrigam o filho a fazer
os trabalhos nem que ele chore ou suplique, nem que vá mais tarde para a
cama? E quando ele não os consegue fazer? Deve insistir e tentar ensinar,
obrigar a fazer como sabe ou fazer-lhe os trabalhos e pronto?
Há famílias que entram em ruptura, porque,
entre os elementos do casal existem opiniões diferentes: Um quer que se
exija, outro que se desculpe ou facilite e há ainda a criança que passa a
fazer xixi na cama, a vomitar a não querer ir para a escola …têm medo!
Muitos pais chegam a pedir ajuda a psicólogos e psiquiatras porque o seu
filho tem problemas na escola.
Há ainda pais que querem que os professores
passem mais trabalhos para casa, tanto para os manterem mais ocupados como
para “puxar” mais por eles! E se os professores não passarem passam eles e
com que grau de exigência!
E no ATL (Actividades de Tempos Livres) devem
fazer os trabalhos de casa ou não? Durante muito tempo? Quanto? Com ajuda da
monitora ou dos seus colegas? Ou não?! Ainda há pais que querem acompanhar
os filhos nestes trabalhos para os verem desabrochar e sintonizarem as suas
dificuldades!
Ora bem: Agora dou eu a minha opinião!
Eu sou aquela de que muitos dizem “cuidado
que ela é contra os trabalhos de casa!”
Mas que TPC?
Eu sou contra os trabalhos para casa que
pouco contribuem para o desenvolvimento do aluno, que sendo em grande
quantidade (muitas vezes são tantos que a criança não conseguiria realizar
numa manhã de trabalho junto do seu professor) se tornam um castigo. Sou
também contra os trabalhos de casa que o aluno não possa realizar de forma
independente por não os compreender ou não ter capacidade ou condições para
os resolver e, por isso, se tornam um pesadelo! Sou ainda contra os
trabalhos de casa do “verbo encher”, como por exemplo: grandes cópias para
quem não precisa de aperfeiçoar a caligrafia ou não é prioridade porque tem
outras dificuldades para ultrapassar; escrever os números até 1000, um a um,
de uma assentada só; escrever as tabuadas todas repetidamente, ler uma
“lição” (texto) nova e responder às perguntas do texto que, no dia seguinte,
será corrigido na sala de aula! Desculpem lá mas o processo está invertido:
Primeiro o professor deverá apresentar e explorar o texto com os alunos e só
depois poderá propor a construção de novos textos, novas ideias e
sistematização das novas aprendizagens! A qualquer momento posso explicar o
porquê destes contras!
No entanto, sou a favor dos Trabalhos de Casa
quando eles servem para:
- Responsabilizar os alunos por
compromissos.
- Envolver os vários intervenientes e
contextos no processo de aprendizagem da criança.
- Sistematizar aprendizagens
significativas, ajudando a recuperar dificuldades.
- Estimular a criatividade.
Assim sendo e porque não podemos esquecer
que as crianças e jovens necessitam de tempo para brincar, jogar, ouvir
música ou, simplesmente, não fazer nada, sugere-se que:
- Os trabalhos sejam significativos.
- Não ocupem demasiado tempo do tempo
livre que têm.
- Tenham um carácter livre,
responsabilizando o aluno ao mesmo tempo que o incentivamos a fazer alguma
coisa significativa.
- Se promova os grandes ou pequenos
esforços feitos na realização dos mesmos.
- Se reconheça publicamente (turma e
família) quem os faz, seja elogiando ou divulgando o produto.
- Aos alunos que não são sensíveis a este
tipo de incentivo, recorrer a outras estratégias tipo contrato de trabalho.
- Haja um dia da semana sem TPC, dia esse
a escolher com os alunos e/ou outros intervenientes (pais e ATL).