INDICE

1. INTRODUÇÃO
Para nós, o conceito actual de Escola implica saber pensá-la à luz de um conjunto de conceitos, que têm vindo a impor-se, como:
- A Escola enquanto centro das políticas educativas, construindo a sua autonomia a partir da comunidade em que se insere;
- A Escola como pólo de cultura de responsabilidade partilhada que conduza a um gradual aperfeiçoamento das inovações pedagógicas assumidas;
- A Escola da contextualização do currículo, no sentido de promover a sua adequação às condições ambientais da escola e às características e motivações dos alunos.
Este projecto educativo constitui o documento de orientação estratégica da Escola Secundária Marquês de Pombal, visando dotar a sua actividade formativa de uma coerência e intencional idade claras.
Enquanto tal, define as prioridades de intervenção capazes de dor resposta aos problemas detectados e exprime os princípios e valores que orientam a suo acção educativa.
Neste domínio, a escola assume os seguintes princípios:
- Afirmação do cariz predominantemente tecnológico, através da oferta de formações de nível III e IV,
que permitam a inserção dos seus alunos no mercado de emprego;
- Promoção de uma progressiva diferenciação pedagógica, numa lógica de inclusividade, adequando-a
às características e motivações dos alunos;
- Valorização de processos de ensino-aprendizagem centrados rios alunos, suportados em materiais
diversificados e direccionados para a aquisição de competências;
- Promoção da realização de projectos e de actividades de complemento curricular, propiciadores da
valorização social e cultural dos jovens e do desenvolvimento da sua autonomia;
- Valorização da educação para o exercício de uma cidadania livre e responsável;
- Desenvolvimento e consolidação das relações interculturais que caracterizam a Escola;
- Promoção da certificação de conhecimentos e competências, numa perspectiva de aprendizagem ao
longo da vida;
- Promoção do envolvimento das famílias no processo educativo e na participação na vida da escola;
- Promoção de uma cultura de participação e de responsabilização dos membros da comunidade
educativa;
- Confirmação de que, pela sua história e tradições, a ESMP só pode ser uma escola de cariz
essencialmente tecnológico, com potencialidades para poder transformar-se num estilo de
ESCOLA/EMPRESA, vocacionada para ministrar cursos práticos e teórico-práticos, em regime de
oferta própria.
(Voltar)
2. METAS
Sem descurar os objectivos gerais enumerados na LBSE, a ESMP elege, como fundamentais para o exercício da sua função educativa, as seguintes metas:
- Preparar a comunidade educativa para a construção e vivência da autonomia da escola, no quadro de
uma gestão partilhada, bem como da articulação dos vários órgãos e serviços previstos no novo modelo
de gestão e administração dos estabelecimentos de ensino e dos representantes da comunidade social;
- Criar condições para tornar a Escola numa instituição com identidade própria e interveniente, aceite de
plena direito junto da comunidade social:
- Formar cidadãos dotados das competências que lhes permitam uma boa inserção no mundo do
trabalho, considerando a importância da sua formação integral;
- Dar resposta, de forma adequada, aos alunos que procuram a nossa Escola e que pretendam
continuar os estudos no Ensino Superior, mas sem comprometer o perfil tecnológico característico
da escola;
- Melhorar significativamente as condições de trabalho de todos os elementos da comunidade
escolar.
Estas metas foram definidas tendo em consideração as características da escola e do meio envolvente. Pretendem dar resposta, por um lado, às necessidades de pessoal qualificado de nível intermédio sentidas no mercado de trabalho e, por outro, aos alunos que nos procuram e optem pela continuação de estudos nas áreas tecnológicas.
Trata-se de uma especialização que permite, se bem sucedida, que a escola dê continuidade ao bom nome que tem junto das empresas, e que progressivamente, tem sido posto em causa.
Isto é:
A formação de cidadãos aptos para a entrada na vida activa não é atingível no âmbito do ensino
regular, pelo que a escola deve empenhar-se em garantir a sucesso dos cursos de oferta própria que
actualmente ministra e, sempre que considere oportuno e adequado, candidatar-se à leccionação de
novos cursos, valorizando-os na medida da procura que vierem a suscitar no âmbito do mercado de
trabalho.
(Voltar)
3. CARACTERIZAÇÃO DO CONTEXTO DA ACÇÃO EDUCATIVA
| a) |
Caracterização do meio envolvente da escola, em termos sociais, económicas, culturais e de infra-estruturas |
| |
A Escola encontra-se localizada na Rua Alexandre Sá Pinto, antiga Rua das Casas do Trabalho, a cerca de 300 metros da Rua da Junqueira, precisamente no espaço que outrora foi o Estádio das Salésias, primeiro campo relvado do nosso país e onde se realizaram diversos encontros nacionais e internacionais. O estádio pertenceu ao Clube de Futebol “Os Belenenses”, que daqui se deslocou para o actual estádio do Restelo, permitindo a construção da escola.
A Escola Secundária Marquês de Pombal está próxima do Rio Tejo e, dos seus pisos mais elevados, pode-se, com deslumbramento, admirar, a Sul, a rara beleza da margem do rio com o Cristo Rei a "abraçar Lisboa" e da imponente Ponte 25 de Abril. A Norte, podemos avistar parte do Palácio da Ajuda, das Igrejas da Boa-Hora e da Memória, onde se encontram depositados os restos mortais do seu patrono, Marquês de Pombal.
A zona onde se encontra, freguesia de Santa Maria de Belém, está recheada de locais dignos de visita: o Mosteiro dos Jerónimos, o Padrão dos Descobrimentos, o Palácio da Ajuda, a Torre de Belém, o Museu dos Coches, a Ermida do Santo Cristo, o Padrão da Travessa do Chão Salgado, o Museu Leite de Vasconcelos, o Museu de Etnologia, o Museu da Electricidade, o Museu da Marinha, o Museu de Arte Popular, o Planetário Calouste Gulbenkian, o Centro Cultural de Belém, o Teatro do Belém Clube, as casas nobres da Rua da Junqueira e da Vieira Portuense, a Cordoaria Nacional, a Igreja das Salésias (Convento da Nossa Senhora da Visitação), O Convento do Bom Sucesso, a Capela de S. Jerónimo, a célebre casa dos Pastéis de Belém, sendo que o Aquário Vasco da Gama não se encontra muito distante.
Também muito próximo se encontram a Biblioteca Municipal de Belém e o Palácio de Belém onde se encontra instalada a Presidência da República.
Próximo ainda, se encontra o verde dos belos espaços do Jardim Tropical, que poderá servir para saborear o fresco das sombras das suas árvores exóticas, e os Jardins da Praça do Império.
(Voltar) |
| b) |
Um pouco da história da freguesia de Santa Maria de Belém |
| |
O nome de Belém tem origem na ermida de Santa Maria de Belém.
Em 1834, foi criada a freguesia de Santa Maria de Belém, a primeira freguesia civil definida no quadro liberal, ao mesmo tempo que Belém passou a ser também um dos seis distritos da cidade englobando a freguesia da Ajuda. Após a sua nomeação como freguesia, Belém passou a concelho independente da cidade até 1885, data a partir da qual se tornou de novo freguesia.
A partir do século XIX, os Chefes de Estado deram preferência a Belém. Primeiro os Reis, depois os Presidentes da República, todos escolheram o Palácio Cor-de-Rosa como residência oficial. Os Claustros do Mosteiro dos Jerónimos foram o palco da assinatura do tratado de adesão à Comunidade Europeia, em 1986.
(Voltar) |
| c) |
O seu conjunto patrimonial |
| |
Esta é uma das freguesias com maior número de edifícios classificados como monumentos nacionais, imóveis de interesse público e valores concelhios. Grande porte do seu território está integrado em zonas de protecção monumental. Acresce ainda que, desde 1983, dois desses monumentos (o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém) estão classificados como conjunto monumental de valor mundial e integrados na lista do património mundial da UNESCO. Merece ainda referência o diversificado parque museológico de que a freguesia está dotada.
O valor artístico e o significado histórico deste património à escala local, nacional e internacional justificam a quantidade de classificações.
(Voltar) |
| d) |
Dimensão patrimonial |
| |
Muito sumariamente distinguem-se três zonas:
- Zona antiga (constituída por edifícios, antigos bairros degradados e ruas estreitas);
- Zona de implantação recente (habitações modernas, bem conservadas, algumas com jardins);
- Zona verde do Parque de Monsanto.
A ESMP pertence à zona antiga, mais concretamente à zona do Altinho onde se conciliam zonas residenciais, comerciais, escolas e colégios. Nesta zona residem diferentes categorias sociais:
reformados, antigos operários e classe média-baixa. Trata-se de uma zona que estagnou nas
últimas décadas.
(Voltar) |
| e) |
Enquadramento jurídico-administrativo da escola |
| |
Natureza Jurídica:
Administração Central - Serviço ou Organismo de Estado
Educação Pública:
Data de Constituição: 17 de Novembro de 1884
Data de Início de actividade: 17 de Novembro de 1884
(Voltar) |
| f) |
Caracterização dos elementos materiais da escola |
| |
Edifício |
| |
|
As suas instalações, na Rua Alexandre de Sá Pinto - ou Rua das Salésias (ou das Casas do Trabalho), como por vezes é referida - foram oficialmente terminadas em 2 de Dezembro de 1963, embora já estivessem ocupadas pelo Escola desde 9 de Abril de 1962. O projecto, da autoria do Arquitecto António Pedroso (antigo aluno da Escola) reflecte a gramática arquitectónica vincadamente homogénea das escolas construídas de acordo com as normas do Ministério das Obras Públicas de então. De notar, porém, que é, até hoje, a Escola Secundária que abrange a maior área coberta e descoberta do país, o que denuncia os propósitos da política industrializa-dora dos anos sessenta, propósitos que passavam pelo ensino técnico e pela nova Escola Industrial, herdeira das tradições da que antes se situava em Alcântara.
Dependendo das intenções dos que outrora frequentavam os lugares, os estudiosos designavam-nos por sagrados e profanos. O sagrado encerra algo de restritivo ao exterior, nesse sentido, carecendo de um conhecimento prévio da norma.
Indo ao encontro desta definição, dir-se-ia que a Escola Secundária Marquês de Pombal, alicerçada na raiz que a gerou, dispõe de, pelo menos, três lugares carregados desse carisma, invulgares em outras escolas suas congéneres: a Sala do Conselho, a Sala-Museu e a Biblioteca, todos eles a pedir rápida intervenção e conservação, em termos do Seu património.
A Sala do Conselho é decorada por um conjunto de quadros a óleo onde figuram os Mestres da 1" fase da Escola, de que deve justamente salientar-se, sem desprimor para outros, o Director Adolfo Marques Leitão, cujo identidade se confunde com a da própria Escola. Ocupou o lugar durante 36 anos, ou seja, desde 1890 até 1926, tendo acompanhado as vicissitudes das mudanças do Regime e os seus reflexos na própria condução do ensina. Reconhecido como grande pedagogo, acima das ideologias, foi reconduzido no cargo mesmo após o limite de idade, por deferimento do Presidente da República, Teixeira Gomes, ainda que monárquico e amigo pessoal de reis. A sua presença discreta domina, subtilmente, o ambiente desta Sala
Leopoldo Battistini é o nome que designa o espaço da Sala-Museu, no 4° Piso do edifício principal. Confunde-se no simbolismo, de que é memória, o espólio do professor e artista que, italiano de nascença e formação, se tornou português pelos sentimentos.
Conhecer a sua biografia, a partir do momento em que entra em Portugal, como técnico especializado ao serviço do governo e do ensino português, é conhecer a própria história do nosso ensino industrial até à década de 30. Por outro lado, visitar a Sala que lhe é dedicada é revisitar a Escola e a sua história.
A Biblioteca reflecte (reflecti-lo-ia ainda mais, não fora a delapidação, sempre inevitável do tempo que nos sujeita) a mentalidade e a cultura média nacional, desde a criação desta Escola até a década de 70. Por ali, ainda resistem obras exemplares e únicas que falam por si, das atitudes oficiais e, não só, dos que fazem a história do ensino, entre nós.
Constituem a escola 5 edifícios, com um total de 83 espaços, organizadas da seguinte forma:
41 salas normais
10 laboratórios
8 salas de desenho
4 laboratórios de informática
13 salas oficinais
2 anfiteatros
1 sala de audiovisuais
(Voltar) |
| g) |
Caracterização do clima do Escola |
| |
Estilo de gestão |
| |
|
A Escola Secundária Marquês de Pombal obedece ao regime de administração disposto no decreto-lei n.o 115-A/98, de 4 de Maio.
A Assembleia de Escola tem a composição em conformidade com o normativo. O seu funcionamento é democrático, pois a identificação, discussão e decisão dos assuntos da sua competência são assumidos e partilhados por todos os seus elementos. Os diferentes sectores e parceiros com interesses e responsabilidades na Escola são ouvidos nas decisões tomadas. A Assembleia articula-se regularmente com os órgãos de gestão da Escola, embora pais e alunos não tenham uma presença muito assídua.
A Direcção Executiva tem uma composição formalmente correcta. O seu funcionamento é democrático, na medida em que se verifica a colegialidade interna das deliberações, que inclui processos de auscultação e negociação. A democraticidade, operacionalidode e liderança deste órgão estão garantidas, sendo esta última notória e mobilizadora dos diferentes actores escolares. A presença de todos os membros do órgão de direcção na Escola é constante, estando perfeitamente definidas as competências de cada um.
o Conselho Pedagógico está constituído de acordo com o normativo e o seu funcionamento revela espírito democrático, bem como a correcção de procedimentos, existindo debate e reflexão sobre as questões estruturantes da vida da Escola, como sejam a Organização Curricular, Plano de Actividades, Plano de Formação e Base Geral de Programação. Em termos de operaciona-lidade, constata-se que as decisões são tomadas com base numa reflexão conjunta e assim se explica a existência de uma oferta própria da Escola dirigida a públicos específicos, numa perspectiva de desenvolvimento de competências.
O Conselho Administrativo está devidamente constituído, reúne mensalmente e sempre que necessário. A democraticidade e a operacionalidade deste órgão estão asseguradas e toda a informação escrita está devidamente actualizada, de acordo com o que encontra exarado em acta. As dotações orçamentais concedidas são distribuídas pelos pontos tidos como estratégicos. A gestão dos recursos financeiros segue os critérios estabelecidos na elaboração do orçamento, com base nas linhas orientadoras definidas pela Assembleia de Escola.
Os Departamentos Curriculares reúnem formalmente uma vez por trimestre.
Os Grupos disciplinares e o Conselho dos Directores de Turma reúnem formalmente e com periodicidade mensal.
As restantes estruturas da organização da Escola reúnem formalmente e com a periodicidade estabelecida e aprovada pelo Conselho Pedagógico, sempre em acordo com o Regulamento Interno.
Grau de motivação dos professores - A motivação dos professores pode ser exógena e endógena. Quer isto dizer que o professor pode sentir-se motivado por razões meramente pessoais, isto é, com ideais de vida, solidariedade para com o aluno, na generalidade, Sem que isso tenha a ver com quaisquer alunos que tenha. São apenas pensamentos altruístas e humanitários que o fazem estar dedicado à profissão. Pelo contrário, professores há que são motivados pelo meio que os rodeia, pelo trabalho desenvolvido por e na escola e, muitas vezes, são levados a realizar tarefas e a aprender a lidar com alunos difíceis de modo muito satisfatório, ou mesmo bom, facto que nunca pensaram estar dentro do seu Universo.
Assim a escola e o seu clima têm grande importância no "modus operandi" dos professores e na sua motivação. Nem sempre os que dizem ter grande vocação e motivação intrínseca para professores o são na realidade, se o clima da escola o não favorecer. Deste modo, tem a escola, com o seu Projecto Educativo, fundamental importância na motivação dos professores.
Ao dar à escola o seu contributo, com um Projecto Educativo forte, dinâmico, inovador e, sobretudo, virado para a aquisição de valores, o professor vai-se integrando aos poucos nesta dinâmica e deixa-se enredar por um clima aberto, solidário e pleno de satisfação para ambos as partes - professores e alunos.
As habilitações dos professores têm importância para uma escola que se pretende de qualidade, Esta não o será se os seus professores estiverem mal preparados cientificamente. Mas não só. Há que ter professores habilitados ao nível das ciências de psicologia e dos relações humanas e sociais.
Hoje, a escola é tudo poro os alunos: pai, mãe, mestre e companheira.
Assim, exige-se aos professores uma formação que vai desde a parte científica específica até a conhecimentos das ciências sociais e humanas.
Uma escola deve, assim, ter um Projecto Educativo que vise formar não só os seus alunos, mas também, os seus professores, para que a escola, enquanto serviço público, possa dotar cada indivíduo duma bagagem cultural mínima e, portanto, consagrar mais atenção àqueles que têm mais necessidade. Isto só se conseguirá com professores motivados e bem preparados.
Podemos dizer ainda que o professor é um analista simbólico ao ser um 'solucionador de problemas". Os “analistas simbólicos”: são, segundo Reich, aqueles que estão sempre a experimentar, trabalham em equipa, elaboram conceitos e estratégias, escrevem propostas, projectos e relatórios.
O professor é também um artesão, pois deve ser um reinventor de práticas, reconfigurando-se a cada momento de acordo com as especificações dos contextos e dos públicos. Finalmente, o professor deve ser um profissional da relação pois investe toda a sua personalidade na relação com os alunos.
Deste modo, um professor motivado, científica e socialmente preparado, só precisa de ser 'amparado" por um Projecto Educativo de Escola dinâmico, inovador e elaborado de acordo com o público alvo a que Se destina-os seus alunos.
Como todos sabemos, as pessoas aprendem o que é pessoalmente significativo e importante para elas. |
| |
Envolvimento dos Pais e Encarregados de Educação |
| |
|
O atendimento aos Encarregados de Educação processa-se de forma a permitir o seu envolvimento nos processos de ensino e de aprendizagem, embora ainda não tenha sido atingido um nível que permita uma estreita ligação entre a Escola e as famílias. É de salientar que não tem sido conseguido, em muitos casos, o contacto com os Pais e Encarregados de Educação para os implicar nas tomadas de decisão respeitantes aos educandos. |
| |
Modalidades de abertura da Escola à comunidade |
| |
|
A experiência escolar vivida pelos docentes, ao longo dos últimos anos, mostra claramente um déficit na ligação da escola ao meio, nomeadamente em acções de verdadeira parceria assumida como relacionamento contratualizado de interesse para ambas as partes, com responsabilidades e objectivos bem definidos, embora por vezes conflituosos.
(Voltar) |
| h) |
Identificação de problemas e potencialidades |
| |
A nossa Escola, nos últimos anos, tem vindo a desenvolver a sua função educativa num quadro geral de grandes contrariedades colocadas pela sociedade actual em permanente mutação. Uma dessas contrariedades, porventura a mais visível, é o elevado decréscimo de alunos que têm frequentado a nossa Escola.
Acresce que os alunos que ultimamente rios têm procurado, inscrevendo-se no Ensino regular e nos diversos cursos de oferta própria, são possuidores do seguinte perfil: |
| |
|
- historial anterior com repetências e ausência de pré-requisitos fundamentais:
- família de pertença a estrato socio-económico e cultural desfavorecido;
- risco de abandono escolar precoce, frequentemente concretizado:
Ao longo do ano lectivo, verifica-se que estes alunos registam ainda um elevado nível
de absentismo e insucesso escolar, associado frequentemente a «dificuldades de
aprendizagem».
|
| |
No nosso entendimento, o elevado decréscimo do número de alunos matriculados tem origem em vários factores, nomeadamente: |
| |
|
- O envelhecimento da população do meio envolvente;
- A situação geográfica da escola, condicionada pelo afastamento de diversas unidades
industriais para a cintura exterior da cidade;
- O incremento desordenado de escolas secundárias existentes na mesma zona geográfica,
com melhores acessos e oferecendo os mesmos cursos;
- Desvalorização social e institucional da formação técnica qualificante.
|
| |
Apesar das contrariedades, julgamos que temos vindo a desenvolver um trabalho digno e sério, no respeito pela história e pelas tradições da Escola, plenamente inserido no actual esforço de procura, redefinição e manifestação do seu perfil.
Para continuarmos a atingir o sucesso pretendido, torna-se imperioso encetar uma política de rigor e de exigência em toda a vida escolar e reforçar as políticas de integração dos alunos na escola, de formação contínua de professores, funcionários e auxiliares de acção educativa e de cooperação entre a escola e o meio.
Com base na auscultação do sentir da comunidade, bem como nas actividades já desenvolvidas pelos diversos intervenientes no processo educativo, foi possível proceder ao levantamento de alguns constrangimentos, por um lado, e de aspectos positivos por outro: |
| |
|
Constrangimentos |
| |
|
|
- Elevado decréscimo de alunos.
- Insucesso escolar.
- Excesso de faltas.
- Abandono escolar.
- Progressiva desestruturação da identidade da Escola.
- Inexistência de uma cultura de participação e de responsobilização na Escola.
- Incipiente mobilização das famílias e da comunidade na vida escolar.
- Inoperacionalidade da Associação de Pais e Encarregados de Educação.
- Inexistência efectiva da Associação de Estudantes.
- Inexistência de um observatório permanente da qualidade do desempenho da Escola.
- Desorientação e desmotivação dos docentes.
- População escolar de famílias de baixos recursos
- Elevado número de famílias desestruturadas.
- Elevado nível etário dos docentes, funcionários e auxiliares de acção educativa. |
| |
|
Aspectos positivos |
| |
|
|
- Existência de recursos materiais a nível de laboratórios, oficinas, bibliotecas, sala de
audiovisuais, informática, multimédia e equipamentos de educação física.
- Estabilidade do corpo docente.
- Qualificação do corpo docente.
- Oferta próprio diversificado.
- Existência de serviços de apoio como SASE, apoios educativos, serviço de Psicologia e
Orientação,
- Clima de segurança no interior da escola.
- Grandes áreas livres.
(Voltar) |
4 - OBJECTIVOS E ESTRATEGIAS
Os objectivos definidos estão apresentados por ordem decrescente de prioridade.
| Objectivo I - Aprofundar, consolidar e manifestar o carácter tecnológico da Escola |
| |
I.1 - |
Objectivo Operacional - Aprofundar e consolidar a oferta própria da Escola |
| |
|
|
Estratégias |
| |
|
|
|
- Criar uma estrutura funcional de coordenação da Oferta Própria que, com meios
adequados, nomeadamente:
- Uniformize e monitorize o funcionamento dos cursos;
- Avalie o Seu desempenho;
- Proponha alterações à sua estrutura ou aos modos de funcionamento;
- Prepare os dossiers de concurso a programas de financiamento;
- Fundamente pareceres quanto à manutenção e abertura de novos cursos;
- Prepare os dossiers de proposta de abertura de cursos às entidades de tutela.
|
| |
I.2 - |
Objectivo Operacional - Promover externamente a imagem da Escola como Escola de perfil
tecnológico |
| |
|
|
Estratégias |
| |
|
|
|
- Criar um Gabinete de marketing e divulgação que:
- Organize uma exposição itinerante (física ou virtual) representativa da história e
tradições da Escola com a finalidade de a divulgar no exterior;
- Organize a divulgação dos cursos junto da comunidade no final de cada ano lectivo,
na forma de exposição ou outras;
- Organize um Museu tecnológico na Escola.
|
| |
I.3 - |
Objectivo Operacional - Estabelecer parcerias com instituições, empresas e entidades
representativas de empresários e trabalhadores |
| |
|
|
Estratégias |
| |
|
|
|
- Adoptar uma política de parcerias que permita uma adequação da oferta formativa
às necessidades do mercado de trabalho.
- Estabelecer parcerias sócio-educativas e protocolos de cooperação, visando o
aprofundamento tecnológico da Escola, com Associações, Empresas, Instituições,
Sindicatos, etc.
- Gerir os cursos de forma articulada com as Empresas.
|
| |
I.4 - |
Objectivo Operacional - Direccionar a formação de professores no sentido de propiciar formação nas áreas de interesse prioritário para a Escola. |
| |
|
|
Estratégias |
| |
|
|
|
- Fazer um levantamento das necessidades de formação da Escola, nomeadamente,
nas áreas tecnológicas.
- Desenvolver um plano de formação contínua, centrado na Escola e nas suas
necessidades.
- Facultar a participação em cursos de formação de outros Centros de Formação.
- Promover debates, seminários, etc. .
|
| Objectivo II - Reduzir o insucesso escolar |
| |
|
Objectivo Operacional - Reduzir o insucesso global. |
| |
|
|
Estratégias |
| |
|
|
|
- Incrementar, na sala de aula, práticas estimulantes, apoiadas em materiais de
aprendizagem diversificados.
- Dinamizar o Centro de Aprendizagens e a Biblioteca, com projectos que apoiem os
alunos na aquisição de métodos de trabalho e organização do seu estudo e com
projectos que implementem medidas de apoio educativo.
- Institucionalizar as salas de estudo dentro do horário dos alunos.
- Implementar actividades de substituição para turmas afectadas pela falta de
professores.
- Atribuir compensações específicas a alunos cuja língua materna não é o Português.
- Aumentar o envolvimento dos Pais e Encarregados de Educação no processo
educativo do seu educando.
- Manter a mesma equipa pedagógica, no decurso dos cursos existentes na Escola.
- Promover o gosto pela utilização correcta da Língua Portuguesa.
|
| Objectivo III - Potenciar a integração dos alunos na Escola |
| |
|
Objectivo Operacional - Reduzir o absentismo e o abandono escolar |
| |
|
|
Estratégias |
| |
|
|
|
- Desenvolver um plano de dinamização do Centro de Aprendizagens com horário de
funcionamento articulado com as necessidades dos alunos.
- Apetrechar os espaços de ensino, de apoio e de lazer de modo a torná-los mais
aprazíveis.
- Organizar as aprendizagens numa perspectiva de diferenciação.
- Organizar reuniões de pais periódicos e de implementação obrigatória.
- Realizar a semana cultural.
- Responsabilizar os grupos, em geral, e os delegados de grupo, em particular, pela
eficaz articulação pedagógica entre os professores (nomeadamente quanto a
critérios de exigência e critérios de avaliação).
- Promover a realização de Conselhos de Turma com a periodicidade necessária de
modo a responderem activamente à praxis e dinâmica pedagógica, como efectivas
estruturas de coordenação e integração dos alunos.
- Promover actividades de complemento curricular de acordo com as motivações dos
alunos.
|
Objectivo IV - Estabelecer protocolos com entidades e empresas com vista à certificação de
conhecimentos e competências |
| |
|
Estratégias |
| |
|
|
Criação de uma equipa de coordenação que: |
| |
|
|
|
- inventarie as áreas de certificação que a escola pode oferecer;
- inventarie os recursos humanos disponíveis;
- estabeleça contactos com entidades e empresas no sentido da divulgação da oferta
da Escola e do estabelecimento de protocolos.
|
| Objectivo V - Aprofundar a ligação Encarregados de Educação/Escola |
| |
|
Objectivo Operacional - Promover uma maior participação dos pais e encarregados de
educação no processo educativo dos seus educandos. |
| |
|
|
Estratégias |
| |
|
|
|
- Criação de actividades expressamente dirigidos aos Encarregados de Educação:
Festas de Natal, debates sobre assuntos do seu interesse, convívios desportivos,
cursos de alfabetização e outros de índole prática, etc..
- Consagrar o dia 8 de Outubro (Dia Europeu dos Pais na Escola) para apresentação
aos Encarregados de Educação - dado que é necessário que eles saibam o que os
seus filhos andam a aprender - nomeadamente, do "Programa de Ensino”, dos
"Objectivos. e do "Tipo de Avaliação”.
- Possibilitar a participação de Encarregados de Educação em actividades escolares.
- Aumentar a divulgação das actividades escolares junto dos Pais e Encarregados de
Educação.
- Estimular a organização e o funcionamento da Associação de Pais e Encarregados de
Educação.
- Responsabilizar os Pais no processo ensino/aprendizagem dos seus educandos.
|
| Objectivo VI - Desenvolver uma cultura de participação e responsabilização na Escola. |
| |
|
Objectivo Operacional - Aumentar o número de membros da comunidade educativa com
participação e responsabilização nas tomadas de decisão. |
| |
|
|
Estratégias |
| |
|
|
|
- Criar um Observatório permanente de qualidade da escola,
- Adoptar o princípio de que a atribuição das tarefas deve visar a funcionalidade e a
eficácia.
- Construir um quadro definidor dos princípios e processos que defendem e permitem
o envolvimento regular da comunidade educativa nas tomadas de decisão.
- Adoptar o primado dos critérios de natureza pedagógica sobre os critérios de
natureza administrativa.
- Criar de canais próprios para assegurar a comunicação entre os membros da
comunidade educativa.
- Responsabilizar o não cumprimento das regras pré-estabelecidas.
|
Objectiva VII - Aumentar os níveis da auto-estima, da autoconfiança, do respeito mútuo e de
padrões
de comportamento social. |
| |
|
Objectivos Operacionais - Diminuir os casos de indisciplina, vandalismo e violência.
- Aumentar o número de conselhos de turma com participação dos
alunos desde que, legalmente, o possam fazer |
| |
|
|
Estratégias |
| |
|
|
|
- Promover a efectiva participação dos alunos no seu próprio processo de aprendiza-
gem e nos diferentes órgãos da Escola, nomeadamente nos Conselhos de Turma.
- Incentivar e dinamizar, para os alunos da oferta própria, reuniões de esclarecimento
sobre a integração no mundo da vida activa e os estágios em contexto real de
trabalho.
- Promover o debate e a reflexão das regras de funcionamento da Escola.
- Dinamizar a criação de clubes e núcleos temáticos na Escola e outras actividades
que promovam a auto-estima, a responsabilidade e constituam um desafio
cognitivo, estético e ético.
- Incentivar e estimular a reactivação efectiva da Associação de Estudantes.
- Implementar um sistema eficaz de controlo nos acessos à Escola.
- Organizar acções de dinamização junto dos professores quanto à relevância da
presença dos a/unos em conselhos de turma.
- Organizar acções para dinamização dos alunos no que toca à sua participação em
conselhos de turma e à sua contribuição com temas ou assuntos para análise em
Conselho Pedagógico.
- Organizar acções de valorização da auto-estima das várias comunidades étnicas/
nacionais/culturais presentes no tecido social dos alunos (festas, mostras de cultura,
etc.).
- Dinamizar os funcionários auxiliares e os professores quanto ao seu papel de
agentes educativos fora da sala de aula.
- Criar padrões de actuação de funcionários auxiliares e professores fora da sala de
aula.
|
| Objectivo VIII - Construir mais autonomia |
| |
|
Objectivo Operacional - Construir e celebrar um contrato de autonomia |
| |
|
|
Estratégias |
| |
|
|
|
- Criar uma equipa de avaliação interna para monitorizar e analisar os indicadores de
funcionamento da escola.
- Conceber a realização de acções de formação/sessões de esclarecimento para toda
a comunidade educativa sobre o diploma da autonomia das escolas e suas
implicações.
|
| Objectivo IX - Melhorar as infra-estruturas da Escola |
| |
|
Objectivo operacional - Dotar a Escola de infra-estruturas adequadas à sua oferta formativa |
| |
|
|
Estratégias |
| |
|
|
|
- proceder a um levantamento. dos recursos existentes e a um diagnóstico das
necessidades;
- definir um plano de aquisição de materiais/equipamentos e respectivas formas de
financiamento;
- constituir uma equipa para a formulação de candidaturas, acompanhamento,
avaliação e divulgação do processo.
(Voltar) |
5. AVALIAÇÃO DO PROJECTO
| |
|
A avaliação, que é permanente, deverá ser um instrumento que garanta a qualidade da proposta educativa e a renovação contínua da Escola.
A avaliação do PEE é da competência da Assembleia de Escola através da Comissão Permanente do PEE cujo composição e competências se encontram definidas nos art.º 31° A e 31º B do RI.
Esta avaliação deverá permitir a adequação dos nossos objectivos educativos à realidade concreta da Escola e o nível em que os referidos objectivos são alcançados. Deverá ainda fornecer dados que permitam a adopção de medidas de correcção e melhoria da eficiência e da eficácia da metodologia educativa, recursos pedagógicos aplicados, estratégias adoptadas e actividades realizadas em função do resultado final dos objectivos alcançados.
(Voltar) |
6. DISPOSIÇÕES FINAIS
1. |
Âmbito |
| |
|
O presente projecto tem por objecto a Comunidade Educativa da Escola Secundária Marquês de Pombal e deverá ser aplicado nos anos lectivos do triénio de 2002/2003 a 2004/2005.
|
2. |
Regulamentação e Concretização |
| |
|
Este Projecto concretiza-se em dois documentos: no Regulamento Interno da Escola e no Plano Anual de Actividades.
O Regulamento Interno (RI) deverá conter as normas de funcionamento da Escola e de utilização dos seus equipamentos, de forma a respeitar e a fazer respeitar os direitos e deveres de todos os elementos da comunidade educativa. O RI pode ser ordinariamente revisto, decorridos que sejam três anos, sobre a data de homologação da última revisão. A iniciativa das revisões ordinárias é da competência do Conselho Executivo, sob sua proposta ou sob proposta formal da maioria absoluta do pessoal docente e não docente da ESMP. Contudo, a Assembleia de Escola pode assumir poderes de revisão extraordinária por maioria absoluta dos membros em efectividade de funções.
O Plano Anual de Actividades (PAA), documento operativo, conterá as diferentes actividades propostas pela comunidade educativa, com vista à concretização das diversas estratégias definidas neste Projecto. No início de cada ano lectivo, o Plano Anual de Actividades, elaborado pelo Conselho Executivo, e aprovado pelo Conselho Pedagógico, após o que é remetido pelo CE à Assembleia de Escola para parecer vinculativo.
|
3. |
Aprovação |
| |
|
O CP elabora a proposta de PEE. O CE submete o projecto à aprovação da Assembleia de Escola.
(Voltar) |
|