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Por volta do ano
3000 a.C. o Egipto transformou-se numa nação única. Foi o desenvolvimento da
agricultura, que decorreu nesse período, que levou, por sua vez, à
necessidade de se saber a altura da estação das enchentes do Nilo, e
consequentemente à elaboração de um calendário. O estudo da astronomia deu
resposta a esta necessidade.
Por outro lado, a administração do território, fez surgir a necessidade de
registar e de calcular para se proceder, por exemplo, à cobrança de taxas.
Assim, por volta do ano 3000 a.C. os egípcios tinham já desenvolvido um
sistema de escrita, os hieróglifos. São também deste período as primeiras
pirâmides.
Os numerais escritos em hieróglifos encontram-se em túmulos, em monumentos
de pedra e cerâmica. Dão pouca informação sobre como eram realizados os
cálculos com o sistema numérico desenvolvido.
Ao passarem a utilizar o papiro para fazer os seus registos, os egípcios
desenvolveram outro sistema de escrita, mais rápido - a escrita hierática,
que foi utilizada até cerca de 800 a.C.
Os conhecimentos que temos da matemática egípcia provêm, essencialmente, de
dois textos escritos em papiro: o papiro de Rhind (1600 a.C.) e o
papiro de
Moscovo (1800 a.C.). No entanto pensa-se que os conhecimentos matemáticos
neles contidos datam de uma época anterior, provavelmente, mesmo do início
da civilização egípcia. Certo é que o papiro de Rhind foi copiado de outro
da mesma época do papiro de Moscovo.
Uma vez que estes papiros são compostos por problemas, e
pelas suas
resoluções, alguns dos quais elementares, supõe-se que eles tinham
intenções puramente pedagógicas e que eram basicamente
destinados ao ensino dos funcionários do estado, dos escribas. A partir
destes temos acesso apenas a uma matemática elementar. Não se sabe se os
egípcios tinham, ou não conhecimentos matemáticos mais avançados, no
entanto, os monumentos por eles construídos levam a pensar que na
realidade os arquitectos eram possuidores de conhecimentos não revelados
nos papiros.
Outros papiros, da mesma época, são o papiro de Berlin, que contém dois
problemas que envolvem equações do 2.º grau e o papiro de Kahun.
A Matemática egípcia é conhecida pelas suas fracções unitárias.
As fracções eram necessárias porque sendo, por exemplo, os salários
pagos em pão e cerveja era muitas vezes preciso dividir esses bens pelos
diferentes trabalhadores. Por outro lado, o processo que utilizavam para
dividir, dividindo sucessivamente por dois, conduzia muitas vezes a
fracções.
Os papiros referidos provém todos da mesma época (Império Médio), de
uma época de alguma estabilidade, em que imperava o comércio com outros
povos e a agricultura viu um grande desenvolvimento. Contudo, apenas se
conhece a proveniência do papiro de Kahun, que foi encontrado em Kahun, uma
vez que os outros três foram comprados em mercados e não foram achados em
nenhuma exploração arqueológica (Imhausen,
2007).
Desde o Império
Médio até ao período Persa, não são conhecidos papiros
com conteúdos específicos da matemática. Isto não significa que não
tenha havido qualquer tipo de estudo da matemática no Egipto; não nos
podemos esquecer que o papiro é muito frágil e que a sua conservação
não é fácil. Poderão, portanto, ter desaparecido muitos papiros ou
poderá realmente não ter havido desenvolvimento matemático nesse período
de cerca de 1000 anos. Mas tal é difícil de acreditar uma vez que o Egipto
passou durante este período por algumas fases de estabilidade e
prosperidade.
Ainda assim, conhecem-se deste período vários ostracas, provenientes de
Deir-el-Medina (localidade onde habitavam os construtores das pirâmides do
Vale dos reis), alguns dos quais envolviam cálculos de volumes,
provavelmente relacionados com a construção das pirâmides (Imhausen,
2007).
O Egipto esteve sob o domínio Persa durante dois períodos, de 525 a.C. a
404 a.C. e de 343 a.C. a 332 a.C. (Imhausen,
2007).
Um dos papiro da época Persa, do século III a.C, que chegaram até nós, é o
papiro de Cairo onde se encontram vários problemas com o teorema de
Pitágoras. Este papiro denota uma forte influência
Babilónica. O papiro de Cairo está escrito num outro sistema de escrita desenvolvido a partir da
hierática no Egipto - a
demótica, neste mesmo sistema estão escritos outros papiros posteriores
a este.
Quando em 332
a.C. o Egipto foi conquistado por Alexandre, o Grande, o Egipto passou a
fazer parte do mundo Grego e em 30 a.C. passou a ser uma província Romana (Imhausen,
2007).
Tanto no período Ptolemaico (332 a.C. a 30 a.C.) e como no Romano (30 a.C. a 395),
encontram-se papiros
escritos em demótico. Repare-se que neste período os
faraós egípcios, a partir de Ptolomeu I, eram Gregos, e embora tenham
adoptado alguns costumes egípcios, falavam grego e pensavam que a cultura
grega era melhor, se assim se poder dizer, que a egípcia. Não nos
podemos esquecer que é nesta altura que os matemáticos Gregos, como
Euclides, trabalham em Alexandria, e que maior parte da produção
matemática realizada no Egipto é escrita em grego e considerada, por isso,
matemática grega.
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