S. Miguel de Odrinhas

abside2.jpg (109574 bytes)

Estrutura absidal em Odrinhas

Odrinhas é indiscutivelmente o local mais importante em termos de presença romana em Sintra. Para além do Museu, de que falaremos adiante, o sítio de Odrinhas possui uma variadíssima multiplicidade de vestígios romanos e de outras épocas subsequentes que atestam a permanência da presença humana no local pelo menos desde o século I a. C. até à actualidade. Esta persistência é tanto mais curiosa quanto se verifica numa zona onde não se conhece nenhum aglomerado importante. O núcleo urbano mais próximo situava-se em Faião, a urbe romana de maior importância do Município Olisiponense, logo a seguir a Olissipo. Existem ainda vestígios de uma via romana (clicar para ver foto) que ligaria Odrinhas a Faião.

Em Odrinhas, da época romana fazem parte quase todos os muros e compartimentos actualmente visíveis no local, e que são vestígios de uma villa fundada durante a segunda metade do século I a. C. Sobre esta villa primitiva, construir-se-ia, já no século IV d. C., uma outra de que faz parte um pavimento em mosaico monocromo (clicar para ver foto) de desenho geométrico, ainda hoje visível ao lado da capela de S. Miguel.

Planta da estrutura absidal em Odrinhas

Curiosa também é a existência no local de uma estrutura absidal (ver foto acima), construída com pedras da região dispostas horizontalmente em fileiras paralelas e datada do século II d. C. Escavações realizadas na década de 50 permitiram fazer a reconstituição do edifício, que teria uma planta semelhante à aqui apresentada. Tratar-se-ia de um templo romano ou paleo-cristão formado por uma abside em ferradura e de falsa abóbada, dois absidíolos ou talvez nichos, uma nave rectangular e um possível pequeno nartex. Contudo, para além da peculiaridade da planta e da sua estranha orientação norte-sul, não foi encontrado, durante as escavações, qualquer objecto de culto. Daí que há alguns anos tenha surgido a teoria de que a abside faria parte da villa romana aí existente, provavelmente um salão nobre onde o senhor da casa recebia as visitas. Tese diferente é sustentada por Justino Maciel (1983), que afirma tratar-se de um mausoléu romano, uma cópia dos modelos aúlicos do centro do Império, concretamente do Mausoléu de Santa Constança, e sugere uma datação posterior (séc. IV).
Na Baixa Idade Média o local foi transformado em cemitério (é o único cemitério de cariz medieval escavado em Portugal), como ainda hoje se pode comprovar pelas numerosas sepulturas existentes em torno da ermida de S. Miguel, cada uma delas com a respectiva cabeceira discóide, num total de 35 (clicar aqui para ver exemplos), se bem que não haja a certeza de que a actual distribuição das mesmas seja a primitiva.

odrinhas.jpg (150331 bytes)
Cemitério medieval

O Museu, designado inicialmente Museu Arqueológico Prof. Dr. Joaquim Fontes, foi construído a E das ruínas com o objectivo de receber os vestígios provenientes daquelas. A riqueza do espólio encontrado na região, do qual se destaca uma das maiores colecções epigráficas conhecidas, depressa obrigou à construção de um anexo alpendrado e à utilização de espaços exteriores. Há alguns anos, a Câmara Municipal de Sintra, proprietária do Museu, decidiu remodelar o local, construindo um complexo museológico (clicar para ver foto e descrição) que alberga o espólio do antigo museu, uma biblioteca especializada, auditório, gabinetes de estudo, serviços de restauro - para além de várias áreas de lazer. Odrinhas é agora um local de passagem obrigatório para o conhecimento não só da presença romana, mas de toda a antiguidade sintrense.

As ruínas de Odrinhas estão classificadas como IIP pelo Dec nº 42692 de 30/11/1950

VISITAS:  
Morada do Museu:
Av. Prof. Dr. D. Fernando d'Almeida,
Odrinhas, 2710 Sintra
Acesso: E.N.247 (Sintra - Ericeira),cruzamento à direita para São Miguel de Odrinhas

Telefones:21 961 35 74 / 75 / 76 / 77
Fax:21 961 35 78

Horário:

MUSEU:
Terça-feira a domingo,
das 10h às 13h e das 14h às 18h
BIBLIOTECA:
Terça-feira a sábado,
das 10 às 18h


bar059.gif (1757 bytes)

 botpeq1.gif (49 bytes) copyright ©: Carlos Pinheiro 1999