Paço de Belas

Situado na actual vila de Belas, o paço Real de Belas ou quinta do marquês parece ter tido a sua origem numa herdade que no início do século XIV pertencia ao cavaleiro Gonçalo Anes Correia. À morte deste, em 1318 e sem deixar descendência, a propriedade é deixada em  testamento às freiras do Convento de Santos. Em 1334 foi adquirida pelo meirinho-mor Lopo Fernandes Pacheco e, em 1357, fconfiscada pelo rei D. Pedro, pois o seu proprietário - Diogo Lopes de Pacheco - fora um dos implicados no assassínio de D. Inês de Castro. É este rei que ordena a construção do paço, onde  pernoitava com alguma frequência. Este palácio foi aliás, até ao final do século XIV, mais utilizado pela realeza e alta nobreza portuguesas do que o de Sintra. Em 1367, já no reinado de D. Fernando, o paço é devolvido à família Pacheco. Nos séculos seguintes trocaria  vezes de dono, alternado entre a posse da coroa e a de particulares, nas mãos dos quais actualmente se mantém.

Trata-se de um edifício de planta rectangular alongada que se desenvolve em 3 pisos. O alçado poente é animado, no piso térreo do corpo central, por uma arcaria de arcos quebrados alternando com contrafortes, sobre a qual se desenvolve, no piso superior, uma varanda delimitada por guarda calcária, abrindo-se, ainda neste piso portas de verga recta sobrepujadas de óculos ovais. Adossada a este alçado ficava a capela, de planta hexagonal, hoje já sem cobertura, e cujo acesso se efectua por um vão em arco canopial. A fachada nascente é delimitada por dois corpos adossados de planta quadrangular que enquadram uma zona central ritmada, ao nível do piso térreo, pelas molduras calcárias de dois arcos quebrados (parcialmente entaipados, uma vez que no seu interior se rasgam duas janelas rectangulares) e no andar nobre pelo rasgamento de quatro janelas quadradas de verga recta destacada e uma porta de emolduramento calcário. Contiguamente a este alçado desenvolve-se um pátio rectangular, delimitado a oeste por um pano de muro onde se reconhece um portal em arco abatido, enquadrado por uma moldura recta em calcário ostentando decoração relevada, e, à direita, um baixo-relevo figurando o Julgamento de Midas, apresentando ainda vestígios de policromia. Nos terrenos circundantes  a sul da casa, junto ao rio Jamor, podemos observar um Obelisco Comemorativo de visita dos príncipes regentes (futuros D. João VI e rainha D. Carlota Joaquina), o qual, integralmente em calcário, é constituído por um plinto de secção quadrada sobre o qual se eleva um corpo piramidal, ostentando na sua face sul um grupo escultórico marmóreo, composto por uma fama suportando um medalhão com as efígies dos príncipes, da autoria do escultor Joaquim José Barros Laborão (1762 - 1820). O conjunto é complementado pela presença nos jardins de grutas, fontes e outros elementos que evidenciam uma organização e tratamento românticos.

Acesso: Rossio de Belas
Protecção : IIP, Dec. nº 32 973, DR 175 de 18 Agosto 1943

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