Os vestígios pré-históricos da região de
Sintra datam sobretudo do final do Neolítico, entre 4000 e 3000 a.C., correspondendo à
chamada Idade do Cobre ou Calcolítico. Entre esses vestígios, alguns (poucos) bem
conservados, muitos em avançado estado de degradação e outros simplesmente
desaparecidos, contam-se alguns povoados, um conjunto de menires e numerosos monumentos
funerários. Estes últimos podem ser de dois tipos: antas ou tholai.
As antas eram templos funerários de uso colectivo. Originalmente encontrava-se à vista
apenas a mamoa, um montículo artificial de terra e pedras, tal como um grande seio
destacado na paisagem. O interior imitava o ambiente de uma gruta, envolto pela mamoa e
estruturado com grandes lajes de pedra colocadas na vertical (os esteios) ou na horizontal
(os lintéis). Quem vinha de fora, penetrava na obscuridade da terra através de um
corredor baixo, para chegar à câmara funerária, de forma aproximadamente circular e
tapada por uma grande laje (a tampa ou chapéu).
As antas são os vestígios mais antigos da arquitectura humana e, juntamente com os
menires, constituem aquilo que se designa por megalitismo (do grego mega=grande, e
litos=pedra). Esta arquitectura megalítica pressupõe quase sempre uma força de trabalho
colectivo, prova do sentido comunitário e organização social característicos do
Neolítico. Corresponde também ao desenvolvimento do sentido religioso e culto dos
mortos, bem como à progressiva sedentarização do homem.
Os tholai diferem das antas sobretudo pelos materiais utilizados e soluções
arquitectónicas adoptadas. Também monumentos funerários, os esteios são frequentemente
substituídos por muros de pedra, por vezes aproveitando a configuração do terreno, e a
cobertura é constituído por um tecto de falsa cúpula e não por uma laje como nas
antas.
De referir que, embora muitos monumentos pré-históricos de Sintra se possam revelar uma
desilusão em termos de visitas de estudo, o seu espólio pode ser sempre apreciado no
Museu Regional de Sintra, no Museu dos Serviços Geológicos de Portugal e no Museu
Nacional de Arqueologia e Etnologia em Belém.