A Vila Velha

Recentemente classificada património mundial pela UNESCO, juntamente com a paisagem envolvente, a Vila Velha compreende o núcleo urbano original donde se formou a vila, delimitado a norte pela Rua do Paço, Rua Conselheiro Segurado, Beco do Forno, Escadinhas da Pendoa e Rua Fresca; a este pelas Escadinhas do Hospital e Rua Visconde de Monserrate; a sul pela encosta da serra; e a oeste pela quinta dos Pisões. Este núcleo albergaria, nos tempos medievais, cerca de 200 fogos e mil habitantes. A Vila Velha desenvolve-se, após a conquista de D. Afonso Henriques aos mulçumanos, numa malha urbana irregular, condicionada pelas principais vias de acesso que convergem para o centro, e que privilegia mais o espaço interior dos quarteirões do que o espaço público. É neste período da Idade Média que se consolidam as estruturas religiosas, políticas e administrativas, de que são exemplos a igreja paroquial de São Martinho, a Sinagoga, a casa da Vereação e o Paço Real, antigo paço dos walis mulçumanos. O Paço era o edifício mais importante da vila, onde por vezes pernoitavam os monarcas, e à época encontrava-se murado. O terreiro fronteiro - Chão de Oliva - era a principal praça e logo abaixo dele ficava o hospital, precisamente no mesmo local onde se situa o actual. Frente a este erguia-se o pelourinho, embora o que hoje aí podemos observar não corresponda ao primitivo, pois esse foi destruído em 1854 por ordem camarária. Nem esse seria já o exemplar medieval, correspondendo provavelmente à renovação dos forais do reinado de D. Manuel. A leste do hospital encontrava-se uma das principais vias de acesso à vila, para quem vinha de Lisboa. Nessa entrada, no local onde hoje se vê um fontanário, já na Idade Média se recolhia a água que jorrava da serra, pelo que esse local era conhecido por Pedras Arrojadiças. Em frente ficaria a Casa da Vereação, no local hoje ocupado pelo edifício do Museu do Brinquedo. Perto dela, ficaria o Poço do Romão. Uma das principais artéria da vila era a actual Rua das Padarias, à entrada da qual, do lado direito, ficava o primitivo mercado medieval, que se fazia sob um alpendre. Subindo meia dúzia de metros, um beco à esquerda leva-nos à judiaria (clicar para ver foto), onde viveriam cerca de meia centena de judeus, confinados a um espaço que à hora das Vésperas (sensivelmente pelas 18:00) era encerrado para só abrir na manhã do dia seguinte. A judiaria disponha de uma sinagoga, erguida onde hoje se encontra o terceiro prédio após a entrada no beco. Subindo a rua das Padarias, encontramos a chamada Fonte da Pipa (clicar para ver foto), e embora a actual fonte nada tenha que ver com a época medieval (é uma construção barroca), o que é certo é que já na Idade Média os sintrenses se abasteciam de água nesse local e a fonte tinha precisamente o mesmo nome. Outra importante rua medieval é a hoje chamada Rua do Forno, que actualmente passa por debaixo do patamar que sustenta a esplanada do café Paris, mas que na Idade Média estava a descoberto e se chamaria Rua do Açougue. Desta rua partiriam, ao que parece, túneis que ligariam ao palácio dos wallis muçulmanos, e que supostamente ainda hoje podem ser observados pelas pequenas aberturas na parede do lado direito de quem desce. 
No local onde hoje se localizam os correios ficaria na Idade Média a chamada Torre do Relógio, inaugurado por volta de 1465; a torre e relógio que hoje aí se encontram são setecentistas (clicar para ver foto) . Um pouco mais à frente fica a Igreja de S. Martinho, que já nada conserva das suas origens medievais, excepto um interessante arcossólio (clicar para ver foto) disposto na parede exterior do lado sul da igreja, com o epitáfio de uma tal Margarida Fernandes, falecida em 1307.

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